Tiro que matou Ágatha partiu de arma de PM

Polícia indiciou o cabo por homicídio doloso, quando há intenção de matar, porque houve 'erro de execução' por parte do agente

A menina Ágatha Félix, de 8 anos estava dentro de uma Kombi, no Complexo do Alemão, em 20 de setembro, quando foi baleada

A menina Ágatha Félix, de 8 anos estava dentro de uma Kombi, no Complexo do Alemão, em 20 de setembro, quando foi baleada | /REPRODUÇÃO/FACEBOOK

O tiro que matou a menina Ágatha Félix, de 8 anos, partiu da arma de um policial militar, segundo inquérito concluído pela Delegacia de Homicídios. O cabo foi indiciado por homicídio doloso, quando há a intenção de matar, porque, de acordo com a investigação, houve um “erro de execução” por parte do agente. O relatório foi enviado ao Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ).

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Ágatha estava dentro de uma Kombi, no Complexo do Alemão, em 20 de setembro, quando foi atingida pelo fragmento de um projetil. Ela chegou a ser levada para a Unidade de Pronto Atendimento do Alemão (UP) e transferida para o Hospital Getúlio Vargas, mas não resistiu aos ferimentos. Na ocasião, os parentes da menina já apontavam a PM como responsável pela morte.

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O inquérito tomou como base depoimentos de testemunhas, de policiais militares em serviço na Unidade de Polícia Pacificadora da região, que estavam no local do crime, diversas perícias e o laudo da reprodução simulada, realizada em outubro.

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O resultado dessa reprodução aponta que houve erro de execução por parte do PM, lotado na UPP da Fazendinha. Segundo as investigações, o policial tentava atingir dois traficantes que passavam em uma moto, mas o projétil ricocheteou em um poste e atingiu Ágatha nas costas. De acordo com o inquérito, o PM teria confundido uma esquadria de alumínio que um dos homens levava na moto com uma arma.

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Segundo o delegado Daniel Rosa, da DH, a investigação concluiu que os homens da moto não atiraram contra os policiais da UPP. Por isso, o agente foi indiciado por homicídio doloso – ou seja, ele não atirou em legítima defesa e, portanto, assumiu o risco de matar. A Polícia Civil pediu o afastamento do cabo da UPP e a proibição de contato com testemunhas do caso. O nome do agente não foi divulgado.

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A PM informou que o agente já está afastado de suas atividades nas ruas. Em nota, a secretaria de estado informou que lamenta o “triste episódio” e reforça solidariedade à família de Ágatha. “Sobre a investigação, a corporação esclarece que está dando o apoio necessário à Delegacia de Homicídios da Polícia Civil, e em paralelo segue a apuração interna através do Inquérito Policial Militar (IPM)”, conclui o texto.
(EC)