Vereadora influenciou reintegração de posse de casarão nos Jardins

Justiça determinou desocupação imediata de prédio em endereço de luxo da zona oeste de São Paulo

Ocupação na rua Oscar Freire, região nobre de São Paulo

Ocupação na rua Oscar Freire, região nobre de São Paulo | Reprodução/Google Street View

Na última sexta-feira (10/4), a Justiça de São Paulo pediu a desocupação imediata de um prédio na esquina das ruas Peixoto Gomide e Oscar Freire, na zona oeste de São Paulo, por risco de desabamento e problemas estruturais. O local é ocupado há 10 anos por 30 famílias em situação de vulnerabilidade, com a presença de crianças e idosos.

A decisão ocorreu após requerimento apresentado pela vereadora Cris Monteiro (Novo), que solicitou providências do poder público para retirar as famílias do local.

“Nosso requerimento teve como prioridade a proteção da vida. Estamos falando de um imóvel com mais de quatro décadas, em estado crítico, que coloca em risco não apenas as famílias que vivem ali, mas toda a vizinhança”, afirmou a parlamentar.

Os Jardins são um dos bairros mais caros de São Paulo, e a rua Oscar Freire é conhecida nacionalmente pelas lojas de luxo.

‘Condições de insalubridade’

Segundo laudo da Defesa Civil de janeiro deste ano, o prédio apresenta “condições de insalubridade e deterioração da edificação”. O órgão pede a “desocupação imediata da edificação, visando a integridade física dos seus ocupantes”.

O prédio deixou de ser habitado em 2006, após o condomínio subir de R$ 200 para R$ 6,9 mil, em valores da época, que teria sido uma retaliação da empresa Santa Alice Hotelaria e Construções Ltda a dois dos nove proprietários que não quiseram vender seus imóveis para a empresa, que desejava fazer um empreendimento de luxo no local.

Eles deixaram o prédio no  de 2007, e o edifício ficou interditado entre 2008 e 2013. O espaço voltou a ser ocupado em 2015 pelas 25 famílias que seguem no local até os dias atuais.

O que diz a prefeitura

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que a ação de reintegração de posse é uma disputa entre particulares e que o município foi acionado pela Justiça apenas para prestar informações sobre as condições do imóvel e garantir atendimento às famílias.

Ainda conforme a gestão municipal, os moradores são atendidos pela rede socioassistencial, além de acompanhamento educacional para crianças.