Entenda como é medida a qualidade do ar em São Paulo

Saiba interpretar quando a qualidade do ar está inadequada em sua região e quais os riscos da poluição atmosférica para sua saúde

Concurso para a companhia não ocorria desde 2012

Só na Capital, a Cetesb possui 15 estações de aferição da qualidade do ar | Divulgação/Cetesb

Quem vive em São Paulo sabe que a má qualidade do ar pode causar muito desconforto e mal-estar. A respiração fica mais difícil, boca, olhos e nariz ficam mais secos e acabamos ficando mais cansados. Para compreender melhor por que isso ocorre, é importante compreender como a qualidade do ar é medida na cidade e por que ela é tão importante para a saúde.

No estado de São Paulo, a qualidade do ar é controlada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). A empresa pública possui 15 estações de aferição na Capital, outras sete estações na Grande São Paulo e 30 no interior do Estado.

É da Cetesb a responsabilidade de informar aos cidadãos e autoridades quanto à qualidade do ar nas cidades paulistas. Entender a classificação realizada pela empresa é importante para garantir a saúde do sistema respiratório.

O que é um bom índice de qualidade do ar para a Cetesb? 

A Cetesb analisa o quão poluído está o ar e atribui a ele uma nota.  A classificação, por sua vez, estima quais impactos a eventual má qualidade do ar pode causar na saúde.

Para a companhia, as condições adequadas para o sistema respiratório estão associadas a notas de qualidade que vão até 40. Confira a seguir, como a Cetesb classifica a qualidade do ar.

Nota

 

Qualidade do ar Impactos para a saúde
0 a 40 Boa Nenhum
41 – 80 Moderada Pessoas de grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas) podem apresentar sintomas como tosse seca e cansaço. A população, em geral, não é afetada.
81 – 120 Ruim Toda a população pode apresentar sintomas como tosse seca, cansaço, ardor nos olhos, nariz e garganta. Pessoas de grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas) podem apresentar efeitos mais sérios na saúde.
121 – 200 Muito ruim Toda a população pode apresentar agravamento dos sintomas como tosse seca, cansaço, ardor nos olhos, nariz e garganta e ainda falta de ar e respiração ofegante. Efeitos ainda mais graves à saúde de grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas).
> 200 Péssima Toda a população pode apresentar sérios riscos de manifestações de doenças respiratórias e cardiovasculares. Aumento de mortes prematuras em pessoas de grupos sensíveis.

Como é uma estação da Cetesb 

As estações da Cetesb contam com equipamentos que monitoram poluentes como partículas inaláveis (MP10), partículas inaláveis finas (MP2,5), óxidos de nitrogênio (NOx) e ozônio (O3).

Além disso, os centros de análise também consideram dados meteorológicos como direção e velocidade do vento, temperatura e umidade do ar e radiação solar.

O que é o ozônio 

O poluente medido pela Cetesb é o ozônio, formado pela reação entre os óxidos de nitrogênio (emitidos por processos de combustão, veicular e industrial) e dos compostos orgânicos voláteis (emitidos em queima de combustíveis automotivos e em processos industriais), na presença de luz solar.

Historicamente, as concentrações mais elevadas ocorrem com mais frequência no período da primavera e do verão, época em que a incidência da radiação solar é mais intensa e as temperaturas são mais elevadas.

Riscos do ozônio 

A concentração de ozônio, conforme a própria companhia, pode causar agravamento para toda a população “dos sintomas como tosse seca, cansaço, ardor nos olhos, nariz e garganta e ainda falta de ar e respiração ofegante”.

Os efeitos podem ser ainda mais graves à saúde de grupos sensíveis, como crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas. Os dados estão Boletim Mensal da Qualidade do Ar para o Estado de São Paulo.

Como a má qualidade do ar afeta a saúde 

De acordo com o médico Antonio Carlos Madeira, diretor do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus (HMIMJ), é comum o aumento no número de pacientes com doenças respiratórias em períodos de seca.

O tempo árido contribui para o aumento no número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave, quadro caracterizado, principalmente, pela falta de ar.

Sintomas causados pelo tempo seco  

Entre as principais manifestações sintomáticas causadas pela aridez, o médico destaca: tosse, falta de ar, cansaço, dores de cabeça, dores no corpo e até dores na coluna.

“Esse ressecamento provoca muita indisposição. Um cansaço mais acentuado porque a gente não tá respirando bem”, afirma.

Confira todos os sintomas citados pelo especialista: 

  • Tosse
  • Ressecamento da garganta
  • Ressecamento do nariz e vias respiratórias
  • Cansaço
  • Dores de cabeça
  • Dores no corpo
  • Dores nas costas
  • Falta de ar

Segundo Madeira, o quadro pode ser ainda mais grave em crianças e idosos, que tendem a se esquecer de beber água ao longo do dia e, por isso, acabam se expondo mais ao risco de desidratação.