No coração do Centro Histórico de São Paulo, um endereço segue desafiando o tempo. Fundada em 1872, a Padaria Santa Tereza é oficialmente reconhecida como a mais antiga da cidade e continua em funcionamento em meio ao cenário urbano moderno.
Localizada na Praça Dr. João Mendes, a casa se tornou um ponto de resistência cultural e gastronômica. Nos fins de semana, cerca de 1 mil pessoas passam pelo local em busca de sabores que atravessaram gerações.
Mais do que uma padaria, a Santa Tereza se consolidou como parte da história paulistana, mantendo viva a relação entre comida, memória e identidade da cidade.
Início no século 19
A trajetória da padaria começou com a família Vaz Teixeira, ainda na Rua Santa Teresa. Décadas depois, na década de 1940, o negócio foi transferido para o endereço atual, no centro da Capital.
A mudança acompanhou o crescimento da cidade e a transformação da região, que passou a concentrar fóruns, escritórios e intensa circulação de pessoas.
Desde 1995, a gestão está sob responsabilidade da família Maturana, que assumiu o desafio de manter o legado sem perder a relevância em tempos de constantes mudanças.
Sonho passou de geração em geração
O negócio iniciado pelo avô da família Maturana, descrito como visionário, hoje é conduzido pelas irmãs Natália e Juliana Maturana. As duas administram a padaria com foco na preservação da essência do local, ao mesmo tempo em que se adaptam às novas demandas do público.
Mesmo com o passar dos anos, o ambiente e a forma de atendimento mantém características clássicas que fazem parte da tradição local.
Receitas centenárias protagonistas
O grande diferencial da Padaria Santa Tereza está na manutenção de receitas que atravessaram mais de um século. O maior símbolo disso é a famosa coxa creme.
Preparada com a mesma fórmula original, o item vende cerca de 1,8 mil unidades por mês e continua sendo o mais procurado do cardápio.
Para muitos clientes, o sabor funciona como uma ponte direta com o passado, despertando lembranças e histórias ligadas ao centro da cidade.
Espaço para novos pratos
Mesmo com forte apego à tradição, a padaria soube se reinventar. Em 1999, o cardápio foi ampliado com pratos à la carte que logo se tornaram referência.
Entre eles estão o bife à parmegiana e o clássico Osvaldo Aranha, que ajudaram a atrair um público além do consumo rápido típico de padarias.
A combinação entre receitas antigas e pratos consagrados da culinária brasileira ampliou o alcance da casa sem descaracterizar sua identidade.
Sucesso em números
A estratégia adotada apresentou resultados positivos e reposicionou a padaria no circuito turístico e cultural do centro. Não à toa, foi eleita a terceira melhor padaria de São Paulo em um ranking.
Em números, o movimento se distribui da seguinte forma:
- entre 700 e 900 clientes por dia durante a semana;
- sábados com mais de 1 mil visitantes;
- tíquete médio de aproximadamente R$ 40 por pessoa.
Os dados reforçam a capacidade da casa de se adaptar sem abrir mão da tradição.
Um ponto de encontro com a história de São Paulo
Segundo as proprietárias, o sucesso de mais de 150 anos está em oferecer exatamente o que o público procura: uma conexão real com a história da cidade.
Cada receita, mesa e detalhe do ambiente ajudam a contar um capítulo da evolução de São Paulo, especialmente do seu Centro Histórico.
Em meio a prédios modernos e à rotina acelerada, a Padaria Santa Tereza segue como um refúgio onde o tempo desacelera e o passado continua vivo pelo paladar.








