Morar na maior metrópole da América Latina exige um esforço financeiro cada vez mais pesado para colocar a comida na mesa. Em junho de 2026, a cesta básica em São Paulo consome 64,39% do salário mínimo líquido e exige 131 horas e 2 minutos de trabalho para a sua aquisição, o equivalente a mais de 16 dias inteiros de jornada em uma escala padrão de 8 horas diárias.
Os dados levantados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revelam que a capital paulista encerrou o mês com a cesta básica mais cara entre todas as capitais do País, custando R$ 965,47. O valor representa uma alta acumulada de 9,37% nos últimos 12 meses.
Panorama nacional e o piso ideal de subsistência
Embora São Paulo lidere o valor absoluto no país, a pressão inflacionária nos alimentos é sentida em todo o território nacional, impulsionada pela alta de 3,82% do grupo Alimentos e Bebidas no IPCA.
Na média das 27 capitais, o conjunto essencial de alimentos subiu 8,69% em um ano, alcançando R$ 779,95. Para o trabalhador brasileiro médio, isso se traduz em comprometer 52,02% do salário mínimo líquido e dedicação de 105 horas e 51 minutos de trabalho por mês.
O Dieese e a Conab estimam que o salário mínimo ideal para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 8.110,92. A quantia é cinco vezes superior ao piso nacional vigente de R$ 1.621 e supera expressivamente o rendimento médio apurado pela Pnad Contínua do IBGE (R$ 3.726), deixando o trabalhador com um déficit médio de quase R$ 4,4 mil em relação ao patamar considerado necessário.
São Paulo x Brasil: Disparidades entre as capitais
Apesar de ostentar o valor mais alto, São Paulo não registrou a maior elevação percentual do período. O topo desse indicador ficou com Cuiabá (MT), onde a cesta básica saltou 14,71% em 12 meses, passando a custar R$ 937,93 valor R$ 27,54 abaixo do registrado na capital paulista.
No extremo oposto do ranking:
A menor cesta do país: Aracaju (SE) registrou o menor custo do Brasil, com a cesta a R$ 630,40 (quase R$ 335 mais barata do que em SP). Na capital sergipana, são necessárias 85 horas e 34 minutos de trabalho — cerca de 45 horas e meia a menos que o empenho exigido do trabalhador paulistano.
A única deflação: São Luís (MA) foi a única capital a apresentar recuo no preço do conjunto de alimentos em 12 meses (-0,09%), fechando o custo em R$ 654,73.
Na variação de maio para junho de 2026, 17 capitais tiveram aumento nos alimentos (com destaques para Boa Vista, com 3,28%, e Palmas, com 3,01%) e 10 apresentaram recuo (sendo 7 delas localizadas na região Nordeste).
Ranking nacional: Horas de trabalho para comprar a cesta básica
Veja o tempo de jornada exigido do trabalhador em cada capital do país para adquirir os alimentos essenciais:
- São Paulo (SP): 131 horas e 2 minutos
- Cuiabá (MT): 127 horas e 17 minutos
- Rio de Janeiro (RJ): 124 horas e 59 minutos
- Florianópolis (SC): 124 horas e 39 minutos
- Porto Alegre (RS): 120 horas e 44 minutos
- Campo Grande (MS): 114 horas e 50 minutos
- Vitória (ES): 114 horas e 33 minutos
- Curitiba (PR): 114 horas e 23 minutos
- Belo Horizonte (MG): 112 horas e 12 minutos
- Fortaleza (CE): 111 horas e 37 minutos
- Goiânia (GO): 111 horas e 27 minutos
- Brasília (DF): 108 horas e 41 minutos
- Palmas (TO): 107 horas e 15 minutos
- Belém (PA): 103 horas e 4 minutos
- Boa Vista (RR): 102 horas e 13 minutos
- Teresina (PI): 100 horas e 6 minutos
- Manaus (AM): 99 horas e 28 minutos
- Macapá (AP): 97 horas e 22 minutos
- Rio Branco (AC): 95 horas e 35 minutos
- Recife (PE): 95 horas e 5 minutos
- Porto Velho (RO): 94 horas e 44 minutos
- Salvador (BA): 94 horas e 29 minutos
- João Pessoa (PB): 93 horas e 38 minutos
- Natal (RN): 93 horas e 7 minutos
- Maceió (AL): 91 horas e 7 minutos
- São Luís (MA): 88 horas e 52 minutos
- Aracaju (SE): 85 horas e 34 minutos












