Endividamento familiar atinge 60 milhões de lares em julho e bate 6º recorde seguido no País, aponta CNC

Dados da Confederação Nacional do Comércio confirmam avanço do endividamento urbano em julho

Endividamento atinge 82% dos lares brasileiros e chega a 60 milhões de famílias em julho de 2026 / Magnific/@wayhomestudio

O volume de 60 milhões de famílias endividadas no Brasil (82%) em julho de 2026 consolida o sexto recorde consecutivo na pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

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O indicador revela que a pressão financeira estrangula mais de quatro em cada cinco lares, um reflexo da pressão contínua do custo de vida e dos juros altos sobre o orçamento urbano.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic 2026) aponta que a combinação de juros em patamares elevados com a inflação do custo de vida empurra a população para o uso emergencial de crédito. O indicador avançou em relação aos 81,6% apurados em junho deste ano.

O cartão de crédito desponta isolado como o grande gargalo financeiro, presente na vida de 85,3% das famílias endividadas.

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Utilizado como extensão do salário para a compra de itens básicos de sobrevivência, o meio de pagamento esbarra nas taxas do crédito rotativo, que ultrapassam 400% ao ano e criam uma bola de neve difícil de estancar no orçamento familiar.

Comprometimento de metade da renda das famílias mais pobres

Em quase 20% das famílias brasileiras mais da metade de tudo o que ganham são comprometidos para pagar dívidas em 2026, a maior fatia de renda comprometida desde março.

Em média, os lares endividados alocam 29,5% do orçamento familiar para quitar pendências, em um tempo médio de quitação estimado em 7 meses.

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A inadimplência recuou levemente para 29,8% em julho, impulsionada pelos efeitos das renegociações do programa Desenrola 2.0. Contudo, o patamar geral permanece crítico. O tempo médio de atraso nos pagamentos caiu para 64,6 dias, e mantém a trajetória de queda observada desde abril.

A vulnerabilidade social aprofunda a desigualdade econômica no país:

  • Classes D e E (até 3 salários mínimos): 84,9% das famílias possuem dívidas e 38,5% enfrentam inadimplência ativa.
  • Classe B (acima de 10 salários mínimos): O percentual de endividados cai para 72%, com taxa de inadimplência em 15,1%.

Cartão de crédito como principal vilão do endividamento

O cartão de crédito lidera os compromissos financeiros das famílias, citado por 85,3% dos consumidores. O peso da modalidade está ligado ao parcelamento de compras essenciais do dia a dia e aos juros do crédito rotativo.

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Na sequência aparecem os carnês de loja, com 16,1%, usados no crediário direto do comércio para compras de eletrodomésticos, eletrônicos e vestuário. O crédito pessoal responde por 13% e reúne empréstimos bancários contratados, principalmente, para cobrir despesas emergenciais e fechar o mês.

O financiamento habitacional representa 9,6% dos compromissos e envolve prestações de longo prazo da casa própria. Já o financiamento de veículos corresponde a 9% e reúne as parcelas de carros e motos, além dos gastos permanentes com combustível e manutenção.

O crédito consignado aparece com 7,1% e tem as parcelas descontadas diretamente da folha de pagamento, reduzindo o salário líquido disponível. O cheque especial fecha a lista, com 3,4%, marcado pelo uso do limite emergencial da conta bancária e pelos juros diários elevados.

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Estratégias práticas ajudam famílias a aplicar a educação financeira

A reorganização financeira exige planejamento contínuo e cortes estratégicos para interromper o ciclo do endividamento das famílias. O Caderno de Educação Financeira do Banco Central recomenda um plano de ação focado em recuperar o equilíbrio das contas domésticas:

  • Mapeamento completo de contas: liste todas as receitas e despesas mensais para identificar exatamente o que está em dia e o que está em atraso.
  • Priorização de débitos caros: renegocie primeiramente os débitos com juros elevados, como o cartão de crédito e o cheque especial, ou aqueles que coloquem bens essenciais em risco.
  • Registro minucioso de gastos: anote despesas diárias pequenas, compras parceladas e compromissos sazonais sem deixar nada de fora.
  • Preservação de despesas essenciais: garanta a reserva de recursos para alimentação, moradia, saúde, educação e transporte antes de qualquer outro gasto.
  • Envolvimento familiar amplo: defina metas e limites financeiros claros que possam ser seguidos por todos os membros da casa.
  • Construção de reserva de emergência: monte um fundo de reserva gradualmente assim que as contas primárias estiverem equilibradas.
  • Troca de dívidas por linhas mais baratas: substitua modalidades de crédito caras por financiamentos com taxas menores quando houver saldo devedor acumulado.
  • Uso consciente do cartão de crédito: estabeleça um limite rígido e evite o parcelamento a longo prazo para conter o avanço do endividamento das famílias.

Metodologia e abrangência da pesquisa da CNC

A Peic 2026 é realizada mensalmente pela CNC desde janeiro de 2010. O levantamento entrevista cerca de 18 mil consumidores nas 26 capitais estaduais e no Distrito Federal para diagnosticar a capacidade de pagamento e o nível de endividamento da população brasileira.