Donald Trump tomou posse como presidente dos Estados Unidos na última segunda-feira (20/1). O evento gerou uma série de expectativas aos empresários brasileiros em relação ao mercado financeiro global.
Recentemente o dólar estava cotado a R$ 6,05 em uma ligeira queda. Após as falas de Trump, o dólar chegou a baixar para R$ 6,02. A marca foi um pouco menor dos R$ 6,09, maior valor registrado na história desde o surgimento do Real como moeda oficial brasileira.
O juramento na posse de Trump foi administrado pelo presidente da Suprema Corte dos EUA, John Roberts.
A volatilidade do mercado está ligada à apreensão de investidores com as primeiras ações do presidente eleito Donald Trump, que incluem a retirada dos EUA do Acordo de Paris, o perdão presidencial a figuras controversas e a declaração de emergência na fronteira com o México.
Essas medidas sinalizam uma abordagem política e econômica mais isolacionista e protecionista, características marcantes de seu primeiro mandato.
Impactos no Brasil
O vice-presidente da Atto EXP Empresarial, João Fossaluzza, explica que a alta do dólar pode ser ruim às empresas do Brasil.“Com o dólar em alta, empresas brasileiras que dependem de insumos importados ou têm dívidas em moeda estrangeira enfrentam aumento nos custos operacionais. Setores como tecnologia, aviação e indústria farmacêutica podem ser particularmente afetados”, pontua.
Para o empresário, a desvalorização do real favorece exportadores brasileiros, como os produtores de commodities agrícolas e minerais. A alta do dólar tende a tornar os produtos brasileiros mais competitivos no mercado externo, mas também levanta preocupações sobre inflação interna, já que itens importados, como combustíveis, ficam mais caros.
Divergência política
Outro ponto a se analisar são as declarações de Trump. O republicano afirmou que “a América Latina precisa mais dos EUA do que o contrário”. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que espera uma “gestão profícua” do novo governo americano. Lula reforçou a disposição do Brasil em manter uma relação diplomática equilibrada com os Estados Unidos, apesar de possíveis divergências.
“Da nossa parte, não queremos briga. Nem com os americanos, nem com a China, nem com a Rússia”, declarou Lula em reunião com ministros na véspera.
João Fossaluzza aponta que a postura de Trump em priorizar o mercado interno norte-americano pode dificultar negociações comerciais com países da região, incluindo o Brasil.
“Esse impacto das políticas de Trump nas empresas brasileiras dependerá, em grande medida, das estratégias do governo Lula para lidar com os desafios econômicos e geopolíticos nos próximos meses”, finalizou.
