Justiça decreta falência da Oi após quase dez anos de crise

Operadora estava em sua segunda recuperação judicial desde 2016

Oi mantém atualmente cerca de 4,6 mil contratos com órgãos públicos federais, estaduais e municipais

Oi mantém atualmente cerca de 4,6 mil contratos com órgãos públicos federais, estaduais e municipais | Divulgação

A 7ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou, nesta segunda-feira (10/11), a falência da Oi.

A decisão ocorre após o administrador judicial da companhia, Bruno Rezende, solicitar o reconhecimento da insolvência na última sexta-feira (7/11). A operadora estava em sua segunda recuperação judicial desde 2016.

Na decisão, a juíza Simone Gastesi Chevrand afirmou que a empresa “é tecnicamente falida” e determinou a continuidade provisória das atividades, sob gestão do administrador judicial. Toda a diretoria e o Conselho de Administração foram afastados.

Em 2023, o número de pedidos de falência no País subiu de 86 em fevereiro para 97 em março, de acordo com um relatório divulgado pela Serasa Experian.

Serviços essenciais

A Oi mantém atualmente cerca de 4,6 mil contratos com órgãos públicos federais, estaduais e municipais.

A empresa é responsável por serviços essenciais, como linhas de emergência (polícia, bombeiros e defesa civil) e conexão de loterias da Caixa, além de ser a única operadora presente em aproximadamente 7,5 mil localidades pelo País.

A Justiça afirmou que a transição desses serviços deverá ocorrer gradualmente para evitar descontinuidade.

Dívida crescente

Com receita mensal estimada em R$ 200 milhões e endividamento crescente, a operadora vinha descumprindo metas financeiras previstas no seu segundo plano de recuperação. Segundo a magistrada, o patrimônio da companhia está “esvaziado” e sem condições de liquidar o passivo.

A decisão suspende todas as ações e execuções contra a empresa, impede a venda de ativos sem autorização judicial e prevê a convocação de assembleia de credores para formação de um comitê.

O chamado “caixa restrito” vinculado à V.tal, uma rede de fibra óptica vendida ao BTG Pactual, também foi bloqueado até comprovação contratual dos repasses.

Crise na empresa

A Oi foi criada como uma “supertele” nacional após fusões com a Brasil Telecom e a Portugal Telecom, em um movimento apoiado pelo BNDES nos anos 2000.

A estratégia ampliou a dívida e levou a operadora a vender sucessivamente seus principais ativos, incluindo a operação móvel, adquirida por Claro, TIM e Vivo, e a rede de fibra óptica, vendida à V.tal.

Atualmente, o principal ativo remanescente é a Oi Soluções, unidade voltada ao atendimento corporativo e governamental, que está à venda.