Governo define data para leilão de Brasília e planeja novos aeroportos no interior

Após êxito no Galeão, governo foca em Brasília para atrair capital estrangeiro ao setor aéreo.

Embalado pelo Galeão, governo mira capital estrangeiro em leilão de Brasília.

Embalado pelo Galeão, governo mira capital estrangeiro em leilão de Brasília. | Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Governo Federal deu o sinal verde para a nova fase do Aeroporto Internacional de Brasília. O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, projetou para novembro o leilão do terminal, que hoje é o principal ponto de conexão para quem viaja de São Paulo para o Norte e Nordeste.

A medida, que segue o modelo de sucesso aplicado no Galeão, faz parte de um pacote agressivo que promete transformar a malha aérea e portuária do país até o fim de 2026. 

O caminho até o martelo 

O terminal, atualmente operado pela Inframerica, atravessa um complexo processo de reequilíbrio econômico-financeiro.  

A concessionária havia alegado prejuízos e desequilíbrios no contrato original de 2012, o que levou a uma mediação no Tribunal de Contas da União (TCU)

A solução desenhada segue o modelo de “venda assistida” similar ao aplicado no Galeão.  

Esse formato permite que a atual operadora participe do certame, mas abre as portas para que novos grupos internacionais disputem a operação do segundo aeroporto mais movimentado do país em termos de conexões domésticas. 

“A nossa prioridade este ano é realizar esse grande leilão do Aeroporto de Brasília, que esperamos também que seja um sucesso”, afirmou Costa Filho a Agência Brasil. 

O que está em jogo? 

O leilão de novembro é visto como o “pilar de sustentação” do plano de concessões para 2026 por três motivos centrais: 

Conectividade nacional: Brasília é o maior hub doméstico do Brasil. Qualquer alteração em sua gestão impacta diretamente a malha aérea de todas as regiões. 

Atratividade estrangeira: O governo mira grupos europeus e asiáticos que buscam ativos com demanda consolidada e previsibilidade de caixa. 

Aviação regional: Há estudos em andamento para avaliar a inclusão de aeroportos regionais menores no pacote de Brasília, utilizando a rentabilidade da capital para subsidiar a expansão da aviação no interior. 

Calendário de infraestrutura 

Além de Brasília, o Ministério mantém um cronograma agressivo para o segundo semestre de 2026: 

Outubro/Dezembro: Expectativa de leilão do Tecon 10 (Terminal de Contêineres do Porto de Santos), prometido como o maior certame portuário da história. 

Segundo semestre: Primeira concessão hidroviária do país (Hidrovia do Paraguai). 

Com o mercado internacional observando o Brasil como uma “janela de oportunidades”, o sucesso do leilão de novembro será o teste definitivo para a confiança dos investidores na política de longo prazo do setor de transportes.