O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atingiu R$ 1 bilhão em financiamentos aprovados pelo Move Brasil, iniciativa federal para a troca de veículos de taxistas e motoristas de aplicativo.
Divulgado em balanço oficial no mês de julho, o montante equivale a 3,3% do teto global de R$ 30 bilhões disponibilizado para a linha. Ao todo, 10,1 mil profissionais conseguiram concluir as etapas e retirar o carro zero-quilômetro.
Número muito abaixo do volume de buscas no início das inscrições pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Dados do órgão apontam que mais de 600 mil trabalhadores se cadastraram no portal Gov.br desde maio. Os contratos efetivados representam apenas 1,6% do total de inscritos.
Análise de risco nos bancos limita aprovação
O problema no número de finalizações acontece na triagem feita pelas instituições bancárias credenciadas. A validação do governo serve apenas para checar regras de elegibilidade, como licença de táxi regularizada ou 12 meses de atuação em plataformas com 100 viagens registradas.
A palavra final para a concessão do dinheiro depende exclusivamente da avaliação do perfil do cliente pelas equipes de crédito dos bancos.
Para destravar os pedidos parados e flexibilizar exigências, o governo e o BNDES acionaram o Programa Emergencial de Acesso a Crédito (Peac-FGI). A ferramenta funciona como garantia complementar para cobrir parte do risco de inadimplência nas agências.
Entrada alta emperra fecho dos contratos
Nas simulações em concessionárias, o valor de sinal surge como a principal barreira. Embora as diretrizes do BNDES aceitem financiar 100% do veículo, os bancos privados pedem entradas entre R$ 30 mil e R$ 49 mil para autônomos.
A exigência ocorre pelo cálculo automático dos sistemas de crédito. Durante a análise, despesas operacionais da rotina, como combustível e manutenção, são abatidas da renda bruta. Com os descontos, o ganho líquido considerado não alcança o patamar mínimo da parcela.
O acúmulo de checagens no CPF em curto intervalo também reduz a pontuação nos órgãos de proteção ao crédito, o que invalida novas tentativas de liberação. A linha governamental também prevê regras para o financiamento de motocicletas por motoristas de aplicativo, modalidade com critérios próprios de concessão.
Tarifas indevidas e taxas de juros
A rotina de contratação registra relatos de cobrança indevida da taxa de cadastro, prática proibida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Diante dessa exigência, a orientação do BNDES é cancelar o atendimento e procurar outro banco habilitado.
As condições do programa contam com juros abaixo das médias do mercado. A taxa para mulheres é de até 0,91% ao mês (11,5% ao ano), enquanto para homens o limite fica em até 0,99% ao mês (12,6% ao ano). O prazo chega a 72 meses, com carência de até seis meses.
O balanço do BNDES aponta que o valor médio dos financiamentos liberados ficou em R$ 102 mil por automóvel. O programa já atende 1.015 municípios, com liberações via Banco do Brasil e Caixa Econômica, instituições que exigem comprovação de renda no processo de solicitação do crédito para veículos.
