O plano do governo federal para facilitar a troca de motocicletas por profissionais de entrega promete aliviar os custos com mecânica, mas já gera debates sobre o endividamento da categoria. A linha de crédito é voltada para quem trabalha nas ruas e convive com uma renda que muda todo mês.
A discussão começou após o Conselho Monetário Nacional (CMN) regulamentar o programa Move Brasil Entregadores e MotoApp. A medida libera financiamentos para a compra de motos elétricas ou flex de até 160 cilindradas, além de bicicletas elétricas e equipamentos de trabalho.
Regras do financiamento de motos
Pelas normas aprovadas, os trabalhadores podem pagar as parcelas em até quatro anos. Os juros anuais foram limitados a 11,25% para os homens e 10,25% para as mulheres, taxas menores do que as cobradas no mercado tradicional. Os bancos públicos como Caixa e Banco do Brasil vão operar o crédito.
A iniciativa tenta incluir um público que sofre para conseguir empréstimos em bancos comuns por causa da informalidade. Essa política segue o mesmo modelo de incentivos federais voltados a outras categorias do transporte urbano, que também contam com condições especiais para a troca de carros por motoristas de aplicativos.
Troca da moto reduz custos
Os defensores da proposta afirmam que trocar uma moto antiga por uma nova gera economia imediata no bolso do entregador. Veículos novos gastam menos combustível, exigem menos revisões em oficinas e evitam que o profissional perca dias de trabalho por causa de defeitos mecânicos.
A redução nos gastos operacionais pode ajudar a cobrir o valor das prestações mensais. O governo também vê no projeto uma forma de incentivar o transporte sustentável e diminuir a poluição. O setor já vem passando por mudanças parecidas, com linhas específicas de financiamento para frotas de taxistas.
Alerta contra o endividamento
Por outro lado, especialistas demonstram preocupação com a falta de estabilidade financeira dos entregadores de aplicativos. Como a renda depende do número de corridas diárias e das regras das plataformas, uma queda no movimento do mês pode inviabilizar o pagamento da dívida.
Para o presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin), Reinaldo Domingos, o crédito exige cautela.
“Comprometer até 35% do salário com um empréstimo é algo muito sério. Mesmo com juros menores, sem planejamento, a dívida pode virar uma armadilha”, afirma.
O especialista ressalta que quem já tem uma moto em boas condições deve avaliar bem antes de trocar. Nesses casos, a substituição nem sempre gera uma economia na manutenção que compense o valor fixo das parcelas, aumentando o risco de sufoco financeiro a longo prazo.



