Mais de 70% das grandes empresas não preenchem IBS E CBS: a radiografia de 11,6 milhões de notas fiscais que acende o alerta no corporativo

Levantamento revela que adequação aos novos impostos avançou apenas 0,2 ponto percentual em três meses; veja os impactos operacionais

Exigir a nota fiscal eletrônica fortalece a arrecadação pública e assegura que os benefícios fiscais cheguem corretamente ao bolso do contribuinte. Reprodução/Secretaria de Estado de Economia

Adaptação ao IBS e à CBS ainda é um desafio para grandes empresas / Reprodução/Secretaria de Estado de Economia

Setores empresariais do País travam na reforma tributária e mantêm 70,3% das notas fiscais desatualizadas. O processamento automatizado de 11,6 milhões de emissões revela que a adequação ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) avançou somente 0,2 ponto percentual em quase três meses, de acordo com mapeamento de agosto realizado pela plataforma de gestão V360.

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Entenda como a reforma tributária pretende impactar o bolso do brasileiro

A falta de preenchimento dos novos tributos definidos pela reforma tributária nos documentos da rotina fiscal ameaça a eficiência operacional de 91 grandes corporações auditadas.

Gargalo de fornecedores e empresas

A inércia corporativa em atualizar a rotina de emissão de documentos contábeis atinge diretamente a ponta compradora, fazendo com que mais de 63% das empresas adquirentes recebam notas com dados zerados ou inconsistentes.

Essa falha em cadeia impede que o comprador comprove o recolhimento correto do tributo na origem, neutralizando o direito ao abatimento de impostos ao longo da cadeia de fornecimento e transformando documentos fiscais incompletos em um pesado passivo financeiro para as empresas.

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Transição e reforma tributária

O nó do problema não reside na falta de tecnologia disponível, uma vez que praticamente a totalidade do parque de sistemas de TI do corporativo nacional já se encontra atualizado e apto a processar os novos tributos.

O nó do problema reside justamente na falta de prontidão tecnológica das cadeias produtivas. Conforme o Termômetro do Crédito da V360, mais de 70% das empresas ainda sofrem para receber notas fiscais parametrizadas com o IBS e a CBS, evidenciando que o parque de sistemas de TI nacional enfrenta sérias dificuldades de automatização e conformidade para processar os novos tributos.

O gargalo se concentra no comportamento operacional dos próprios emissores das empresas, que, mesmo ampliando o número de fornecedores homologados para emitir a nova nota, alternam envios corretos com registros zerados na mesma operação, mantendo 65,2% de toda a massa de documentos do país trafegando sem a discriminação adequada de IBS e CBS.

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Essa oscilação ganha força com a recente suspensão temporária da rejeição automática de notas fiscais com campos não preenchidos pelo Fisco, medida que deu fôlego operacional momentâneo às empresas, mas acabou postergando a correção definitiva dos processos internos.

O adiamento da trava fiscal transfere toda a responsabilidade de conferência para os departamentos de contabilidade das empresas, que hoje enfrentam volumes colossais de retrabalho manual para rastrear erros e evitar que a falha do fornecedor se converta na perda irreversível de créditos acumulados no futuro.

A análise mostra que há empresas avançando, mas em ritmos e escalas muito diferentes. Como algumas operações processam milhões de documentos, melhorias pontuais não são suficientes para transformar o fluxo como um todo, explicou Izaias Miguel, CEO da V360, para o Times Brasil.

Você sabia?

A Reforma Tributária moderniza o consumo no país ao unificar impostos e criar o Imposto Seletivo, apelidado de “imposto do pecado”, focado em taxar itens prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, como cigarro e bebida.

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Para São Paulo, o grande desafio e a promessa do novo modelo são reduzir a burocracia das empresas, garantir mais transparência na nota fiscal e impulsionar a competitividade dos negócios paulistas.