Poucos artistas exerceram tanta influência sobre a cultura brasileira e, ao mesmo tempo, foram tão esquecidos pela história quanto Benjamim de Oliveira.
Primeiro palhaço negro do Brasil e um dos principais nomes na consolidação do circo-teatro nacional, ele “voltou” ao centro da cena com a nova temporada de “Benjamim – O Palhaço Negro”, no Espaço Cia. da Revista, em São Paulo.
Em curta temporada, com sessões às terças-feiras e ingressos, que custam a partir de R$ 50, à venda pela Sympla, o musical vai além da reconstituição biográfica.
A montagem propõe um reencontro com a trajetória de um artista que rompeu barreiras raciais, reinventou formas de fazer arte e ajudou a construir a identidade do teatro brasileiro. A produção tem coprodução da Parasol Storytelling e realização da Belfort Produtora.
Nascimento do espetáculo
A história da criação do espetáculo começou de maneira pouco convencional. No fim de 2018, ainda estudante do ensino médio, Isaac Belfort recebeu a sugestão de pesquisar Benjamim de Oliveira para um trabalho escolar.
O que inicialmente seria apenas uma atividade acadêmica se transformou em uma investigação que atravessaria anos e mudaria os rumos de sua trajetória artística. Quanto mais avançava na pesquisa, maior se tornava a percepção de que a história de Benjamim precisava ganhar os palcos.
“Quanto mais eu estudava, mais entendia a dimensão de Benjamim e o quanto ele havia sido apagado da nossa memória. Contar essa história deixou de ser apenas uma ideia de espetáculo e passou a ser um compromisso artístico”, afirma Belfort, que idealizou a montagem, assina a direção de produção e também integra o elenco.
Processo em movimento
Sete anos depois do início da pesquisa, o processo continua em movimento. “Benjamim – O Palhaço Negro” não é tratado como uma obra encerrada, mas como um espetáculo que se transforma a cada temporada.
Novos estudos, descobertas históricas e experiências vividas pelo elenco são incorporados à encenação, mantendo a montagem em constante reconstrução.
Essa característica também está presente no processo criativo. A partir da ideia inicial de Isaac Belfort, o espetáculo foi desenvolvido coletivamente ao lado do diretor e dramaturgo Tauã Delmiro, da diretora artística Manu Hashimoto e dos demais artistas envolvidos na criação. Improvisações, pesquisas e vivências pessoais passaram a integrar a dramaturgia, aproximando a trajetória de Benjamim das experiências de jovens artistas negros da atualidade.
Em determinado momento, o espetáculo deixou de ser só meu. Ele passou a ser de todos que decidiram contar essa história comigo.
É justamente essa aproximação entre passado e presente que distancia a montagem de uma biografia convencional. Em vez de apenas organizar fatos da vida de Benjamim de Oliveira, o musical estabelece um diálogo com questões que ainda atravessam a experiência de artistas negros.
Humor, emoção e crítica social se encontram em uma narrativa que recupera a trajetória de um homem que transformou as vaias em aplausos e abriu caminhos para outras gerações.
Trajetória de ‘Benjamim – O Palhaço Negro’
Desde a estreia, em 2022, no Teatro Cesgranrio, no Rio de Janeiro, “Benjamim – O Palhaço Negro” passou por teatros, festivais e cidades brasileiras, incluindo Pará de Minas (MG), cidade natal do homenageado.
Em 2025, a montagem recebeu duas indicações ao Prêmio Destaque Imprensa Digital (DID), nas categorias Destaque Letra Original e Musical Destaque – Voto Popular.
A nova temporada em São Paulo representa mais uma etapa dessa trajetória. Entre as novidades estão a evolução da encenação e os novos figurinos assinados por Ellias Kalleb, desenvolvidos especialmente para esta fase da montagem.
A equipe criativa reúne ainda Thalyson Rodrigues, na direção musical; Edyelle Brandão, vencedora do Latin Grammy, na supervisão musical e co-arranjos vocais; James Lau, responsável pela trilha original; Marcelo Vittória, na direção de movimento; Alex Carvalho e Jovanna Souza, na cenografia; JP Meirelles, no desenho de luz; e Breno Lobo e Gabriel D’Ângelo, no desenho de som.
Elenco estrelado
Em cena, Sara Chaves, Isaac Belfort, Lakís Farias, Douglas Motta e João Cortins formam o elenco que dá vida aos personagens da trajetória de Benjamim e às reflexões propostas pelo espetáculo.
Nesta temporada, a atriz Mafê Alcântara participa especialmente da montagem, ampliando mais um capítulo dessa construção coletiva.
Entre biografia, memória e contemporaneidade, “Benjamim – O Palhaço Negro” mantém como eixo a ideia de que uma história pode ganhar novos sentidos à medida que é revisitada.
Para Belfort, porém, existe uma razão central para continuar levando a trajetória do artista aos palcos: “Um legado só desaparece quando deixa de ser contado.”
É a partir dessa convicção que o musical retorna à cena: para recuperar a trajetória de um dos artistas mais importantes da história do teatro brasileiro e manter viva uma memória que, por muito tempo, permaneceu à margem da história.
Serviço – ‘Benjamim – O Palhaço Negro’
- Onde? Espaço Cia da Revista – Alameda Nothmann, 1135 – Campos Elíseos, São Paulo
- Quando? Até 15 de setembro; terças, às 20h30
- Quanto? R$100 (inteira) R$50 (meia-entrada); ingressos através da plataforma Sympla
- Classificação indicativa: 10 anos








