Sesc Vila Mariana recebe espetáculo inspirado em livro sobre a Guerra de Canudos

Peça é inspirada livremente na obra literária 'A Guerra do Fim do Mundo', de Mario Vargas Llosa, com elenco de artistas do Brasil e do Japão

Peça ficará em cartaz até domingo (15/12)

Peça ficará em cartaz até domingo (15/12) | João Caldas/Divulgação

O Sesc Vila Mariana, em São Paulo, é palco até domingo (15/12) do espetáculo “Saudade na Miragem”, com direção e dramaturgia do japonês Hiroshi Koike.

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A peça, que tem apresentações de quarta a sábado, às 21h, e aos domingos, às 18h, provoca no público o questionamento sobre: “diante do avanço das IAs (inteligências artificiais) e do surgimento de guerras em todo o mundo, o que é ser humano e para onde a humanidade está caminhando?”

Propondo uma visão do futuro inspirada na obra “A Guerra do Fim do Mundo”, de Mario Vargas Llosa, que se debruça sobre a Guerra de Canudos, ocorrida no sertão da Bahia, de 1896 a 1897, o espetáculo teatral discute a relação entre religião, espiritualidade, conflito e justiça. 

Danilo Dal Farra, Eduardo Okamoto, Fernando Lufer, Jéssica Barbosa, João Guisande, Júlio Lorosh, Paulo Sokobauno e Yana Piva compõem o elenco de artistas do Brasil, enquanto Jinya Imai e Ichiya Nishikawa são os artistas japoneses que integram o time. Os atores brasileiros foram selecionados a partir de uma audição que contou com 384 inscrições.

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“Movido pela arte do encontro, o Sesc recebe a estreia de Saudade na Miragem, do diretor Hiroshi Koike, cuja presença se dá a partir da longeva parceria com a Fundação Japão São Paulo, dando início às celebrações dos 130 anos do tratado de amizade entre Brasil e Japão, reverberando tanto a pluralidade da cultura japonesa quanto desdobramentos próprios das relações interculturais”, afirma Luiz Deoclecio Massaro Galina, diretor do Sesc São Paulo.

 

Projeto “Firebird” 

O espetáculo faz parte do projeto “Firebird” e, atualmente, faz residência no Centro de Pesquisa Teatral (CPT). A iniciativa, lançada em 2022, busca refletir sobre o futuro do mundo a partir de diferentes culturas, propondo a criação e colaboração entre artistas e músicos da Ásia, Europa e América do Sul. 

“O objetivo do projeto é sugerir a coexistência e celebrar as diferenças. Ser capaz de imaginar a coexistência é mais importante do que nunca, neste momento que o mundo está mudando rapidamente e enfrenta uma crise que afeta todo o planeta Terra. O ‘Firebird’ é um projeto para imaginar o renascimento humano diante do caos, da guerra e da destruição”, explica Koike, diretor, dramaturgo e um dos idealizadores da iniciativa. 

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A cada ano, o “Firebird” cria uma nova performance dirigida por Koike e encenada em diferentes partes do mundo. O primeiro trabalho nasceu na Polônia, em 2022, e trouxe à cena uma versão do romance “Kosmos”, de Witold Gombrowicz.

Em 2023, a segunda etapa se inspirou no clássico grego, a “Odisseia”, de Homero, com artistas na Malásia. E agora, em 2024, chegou a vez do espetáculo “Saudade na Miragem”, apresentada no Brasil. 

A escolha do Brasil 

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A montagem é o terceiro trabalho do projeto e discute o tema “Destruição e Nascimento – Como poderemos seguir como seres humanos?”. A apresentação conta com o apoio da Fundação Japão, produção da Périplo e realização da Hiroshi Koike – Bridge Project e do Sesc de São Paulo.

Hiroshi Koike, diretor da montagem, conta que escolheu o Brasil para a coprodução porque já havia trabalhado com artistas brasileiros na década de 2000 e, a partir desta experiência, sentiu uma profunda afeição pela cultura brasileira. 

“O Brasil é realmente o País mais avançado do mundo no processo de se tornar multicultural e multiétnico. O Japão está próximo do exato oposto. A sociedade brasileira define a diversidade em pessoas, cultura e filosofia. O que vemos no País pode ser uma pista para a direção da humanidade à medida que nos tornamos mais diversificados e globalizados. Eu queria criar com artistas brasileiros na terra e na cultura onde artistas como Glauber Rocha, Cartola e Sebastião Salgado viveram. Fui fortemente influenciado e inspirado por sua ousadia”, relata o diretor.

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Revisitando Canudos

“Saudade na Miragem” é inspirado na Guerra de Canudos, conflito armado que ocorreu no interior da Bahia entre 1896 e 1897. Na ocasião, o exército brasileiro, pressionado por latifundiários da região, dizimou milhares de pessoas lideradas pelo peregrino Antônio Conselheiro, que buscava uma salvação milagrosa para a grave crise econômica, social e hídrica enfrentada pela população.

Ambientado no futuro, o espetáculo não se propõe a resgatar fidedignamente o episódio histórico, mas sim lançar um olhar contemporâneo no episódio, interligando com o presente questões como a memória coletiva, a dor e a regeneração. A ideia é reimaginar criativamente a obra e os personagens da obra “A Guerra do Fim do Mundo”.

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Sobre a escolha da história, Koike comenta: “Para os brasileiros, a Guerra de Canudos é um evento que representa um profundo desconforto, como um osso atravessado na garganta. Da mesma forma, a Guerra do Pacífico, o terremoto de Tohoku em 2011 e o acidente na usina nuclear de Fukushima devem ser sempre questionados pelos japoneses. Por que tudo isso aconteceu? Nesse sentido, Canudos não é um problema distante, mas uma possibilidade que pode ocorrer em qualquer lugar do mundo”.

A narrativa é composta por personagens complexos que representam a diversidade e os conflitos da experiência humana. Por meio de uma linguagem teatral que mistura elementos de diversas tradições artísticas, o espetáculo explora a tensão entre caos e harmonia, questionando o que significa viver em um mundo violento. 

“Confrontos, conflitos, guerras, enquanto as pessoas têm o potencial para o diálogo, o respeito e a harmonia. Por meio do ato de criar com artistas que normalmente não estariam juntos no palco, o projeto visa demonstrar a possibilidade de um mundo harmonioso”, acrescenta. 

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Ficha Técnica
Idealização: Hiroshi Koike Bridge Project – Odyssey
Concepção, Roteiro e Direção-Geral: Hiroshi Koike
Elenco: Danilo Dal Farra, Eduardo Okamoto, Fernando Lufer, Jéssica Barbosa, João Guisande, Julio Lorosh, Jinya Imai, Ichiya Nishikawa, Paulo Sokobauno e Yana Piva
Composição e Execução Musical: Gregory Slivar
Arte/Cenografia: Renato Bolelli Rebouças
Figurino: Juliana Bertolini
Vídeos/Projeções: Ivan Soares
Iluminação: Gabriele Souza
Desenho de Som: Alê Martins
Caracterização: Amanda Mantovani
Assistência de Direção: Marie Kuroda, Maria Lívia Goes
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Produção Executiva: Laís Machado
Coordenação de Produção: Adolfo Barreto
Direção de Produção: Marie Kuroda e Pedro de Freitas
Produção Geral: SAI Inc. e Périplo
Apoio Institucional: Fundação Japão em São Paulo
Subsídio: Departamento para Assuntos Culturais, Governo do Japão, Conselho de Artes do Japão
Financiamento: The Japan World Exposition 1970 Commemorative Fund – KANSAI OSAKA 21st Century Association
Realização: Sesc SP, SAI Inc. e NPO Bridge for the Arts and Education

Serviço

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Espetáculo “Saudade na Miragem”
Quando?
Até 15/12 – Quarta a Sábado às 21h – Domingo às 18h
Onde? Teatro Antunes Filho – Sesc Vila Mariana – Rua Pelotas, 141, Vila Mariana – São Paulo
Classificação: 12 anos
Ingressos: Disponíveis no aplicativo Credencial Sesc SP nas bilheterias da rede Sesc; R$ 21 (credencial plena); R$ 35 (estudante, servidor de escola pública, idosos, aposentados e pessoas com deficiência) e R$ 70 (inteira)