São Paulo se tornou um dos principais destinos para quem busca a culinária nordestina fora da região de origem. Não por acaso: o Estado abriga a maior população nordestina do País fora do Nordeste. Segundo dados do IBGE, entre 4,6 milhões e 5,6 milhões de pessoas nascidas na região vivem em território paulista.
Além de movimentarem a economia, elas ajudaram a transformar a capital paulista em um dos principais destinos para quem busca sabores típicos como baião de dois, carne de sol, cuscuz, buchada e outras receitas que atravessam gerações.
Foi nesse cenário que uma baiana e um mineiro, que deixaram suas cidades em busca de oportunidades, encontraram uma forma de matar a saudade de casa e compartilhar suas origens por meio da culinária. O resultado foi o “Virgulino”, restaurante localizado na região central de São Paulo que aposta na comida nordestina com preparo contemporâneo, sem abrir mão das receitas que despertam memória afetiva.
À frente do Virgulino estão Elisângela Abade Barreto Martins, de 49 anos, e Wagner Wanderley Martins, de 53. O casal, que também administra outros seis restaurantes de culinária japonesa na Capital, transformou o projeto inaugurado em 2023 em uma forma de homenagear as próprias origens e compartilhar os sabores que marcaram suas histórias.
Com capacidade para 74 pessoas, o restaurante, na rua Martim Francisco, nº 111, na Santa Cecilia, reúne receitas tradicionais da culinária nordestina em um ambiente acolhedor, pensado para receber desde quem busca reviver lembranças da infância até aqueles que desejam descobrir a diversidade de sabores da região.
A ideia do Virgulino surgiu da vontade de unir a culinária nordestina a um ambiente que transmitisse acolhimento. Baiana, Elisângela conta que ela e o marido, Wagner, natural do Norte de Minas Gerais, costumavam visitar restaurantes da região em São Paulo, mas sentiam falta de um espaço que valorizasse tanto a comida quanto a experiência de quem chega.
“Eu comentava com ele que sentia falta de um restaurante que tivesse uma identidade forte com o Nordeste e que também fosse confortável. Muitos restaurantes se preocupam apenas com o cardápio e deixam o ambiente em segundo plano”, afirmou Elisângela à Gazeta.
Ao explicar a escolha da região central para instalar o Virgulino, Elisângela afirma que a localização foi pensada tanto pela proximidade de um dos restaurantes japoneses administrados pelo casal quanto pelo crescimento do bairro como polo gastronômico.
Mais do que o endereço, porém, ela diz que o maior diferencial da casa está no sentimento que deseja despertar em quem passa por ali.
“Escolhemos o bairro por ficar perto de uma unidade dos nossos restaurantes japoneses e também porque a região vive um momento de expansão, principalmente na gastronomia. O diferencial do Virgulino é fazer com que você se sinta em casa. As lembranças que tenho da infância são de muito afeto. Minha avó sempre reunia toda a família para as refeições e pensei em tudo isso quando criamos a identidade do restaurante”, afirmou.
Ao falar sobre as inspirações para o projeto, Elisângela se emocionou ao lembrar da avó, Felisbela, que completa 102 anos em agosto e segue como uma das principais referências afetivas da família.
“Uma das minhas inspirações é a minha avó. Ela é muito calma e parece aquelas vovozinhas de conto de fadas. Ela faz 102 anos em agosto”, disse, com os olhos marejados.
Atendimento, boa comida e música ao vivo
Quem quiser conhecer o Virgulino pode visitar o restaurante todos os dias da semana, com horários que variam conforme o dia.
De segunda a sexta-feira, o almoço é servido em sistema de buffet, com pratos típicos da culinária nordestina, opções de saladas e também a possibilidade de pedir pratos à la carte. À noite, o atendimento é exclusivamente à la carte.
Aos sábados, a casa oferece um buffet especial de feijoada, com todos os acompanhamentos servidos separadamente para que o cliente monte o prato como preferir. O cardápio tradicional à la carte também permanece disponível. Já aos domingos, o atendimento é exclusivamente à la carte.
A programação musical acontece às sextas-feiras à noite, aos sábados e em alguns domingos, sempre acompanhando o serviço à la carte.
“A gente não coloca música ao vivo no almoço porque muitas famílias preferem um ambiente mais tranquilo para a refeição. Procuramos respeitar esse momento”, explicou Elisângela.
Embora o baião de dois tradicional seja o carro-chefe da casa, a proprietária conta que a picanha de sol servida na chapa tem conquistado cada vez mais espaço entre os clientes e desponta como o sucesso do momento.
Cardápio reúne baião de dois, picanha de sol e outras receitas
O cardápio ainda reúne outras especialidades, como cordeiro cozido, acarajé, dadinho de tapioca, bolinho de macaxeira, pastel de carne seca e opções voltadas ao público vegano.
“Buscamos ter um cardápio variado, com entradas e pratos que representam diferentes sabores do Nordeste. Queremos que cada pessoa encontre um pouco dessa cultura quando senta à mesa”, afirmou.
Apesar da boa recepção do público, Elisângela afirma que ainda é cedo para pensar na expansão da marca. Segundo ela, neste momento, o foco do casal é consolidar a identidade do Virgulino e fortalecer o restaurante na capital paulista.
“Se um dia tivermos outro Virgulino, ele vai precisar manter a mesma proposta e a mesma essência. Então, quem sabe no futuro?”, brincou.
Agradecimento e equipe do Virgulino
Elisângela Martins e Wagner Martins são pais de Clara Martins, atriz e jornalista. Ela é responsável pela divulgação e pelo marketing do Virgulino.
Além da família, a equipe do Virgulino conta com Helano Lopes, gerente da casa; Andréia Gomes, Francisco Leandro Alves e Fernanda Araújo, no salão; Marcos Lira, Tiago Domingos e Andeson Lima, na cozinha; e Luiz Henrique Ribeiro, responsável pelo bar.














