Show de Ana Castela com verba pública de R$ 850 mil gera polêmica após foto divulgada ao lado de Nikolas Ferreira

Verba parlamentar para evento gratuito reacende discussão sobre limites legais no uso de recursos públicos em ano eleitoral

Show de Ana Castela de R$ 850 mil em São Fidélis (RJ) financiado por emenda parlamentar gera debate sobre o uso de verba pública / Reprodução/Instagram

Recursos públicos federais irão financiar a performance de R$ 850 mil da cantora Ana Castela em São Fidélis, no interior do Rio de Janeiro, em um caso que reacende o debate sobre os limites legais e fiscais da utilização de verba pública para shows gratuitos no país.

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O cachê público que será pago no dia da apresentação, em 27 de agosto, e provém de uma emenda parlamentar da deputada federal Dani Cunha (PL-RJ), situação que coloca a gestão do município sob análise rigorosa dos órgãos de controle em pleno ano eleitoral.

Junto à emenda parlamentar, a polêmica envolve uma foto divulgada no último domingo (23), em que a Ana Castela aparece ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Na foto, os dois fizeram com as mãos o gesto de 2 com as mão, que pode ser associado ao número 22 do PL nas urnas.

Veja a mansão de Ana Castela avaliada em R$ 7 milhões

Cachê de Ana Castela chegam até R$ 1,3 milhões

Contratos milionários com prefeituras acumulam-se na agenda recente de Ana Castela, que já fechou apresentações com ao menos 13 municípios desde junho, com valores que variam entre R$ 820 mil e R$ 1,3 milhão.

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O maior montante, com o valor de R$ 1,3 milhão, foi registrado em Barbacena (MG), enquanto cidades como Bauru (SP) e Salto de Pirapora (SP) fecharam contratos de R$ 850 mil, e Itanhaém (SP) por R$ 830 mil, além de repasses elevados em praças como Maceió (AL), Pouso Alegre (MG) e São João del-Rei (MG).

Inexigibilidade e regras de contratação de artistas

A fiscalização financeira e jurídica sobre o contrato não questiona o acesso gratuito da população à cultura, mas foca na devida comprovação do interesse público e na transparência dos custos praticados no mercado.

A contratação direta sem licitação encontra amparo na Lei de Licitações, a Lei nº 14.133/2021, para artistas consagrados, contudo impõe a publicação de pareceres técnicos, comprovação de exclusividade empresarial e demonstrativos que atestem que o valor cobrado por Ana Castela é compatível com suas demais apresentações pelo país.

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Emendas parlamentares para shows municipais

A justificativa oficial do repasse vincula o montante à pasta do turismo, segundo declaração da própria parlamentar responsável pela verba.

A aplicação final da verba pública, como as que foram destinadas a Ana Castela, exige plano de trabalho delimitado e prestação de contas submetida ao Tribunal de Contas da União (TCU), ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).

Uso de shows em período eleitoral e punições

O contexto político eleitoral adiciona exigências ao cumprimento da Resolução nº 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que proíbe expressamente a transformação de eventos custeados com cachês públicos em propaganda eleitoral ou showmícios.

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Episódios como o registro recente da artista ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) fazendo gestos associados ao seu partido elevam a vigilância do Ministério Público Eleitoral (MPE), que exige prova documental para caracterizar eventual desvio de finalidade na promoção de eventos abertos bancados pelo erário.