Embora o Vaticano seja o centro espiritual da Igreja Católica e um local teoricamente dedicado à paz, a paixão pelo futebol já provocou momentos de tensão inesperados entre os muros da Santa Sé.
Em 1947, o que deveria ser a celebração do primeiro campeonato nacional do país terminou em uma confusão generalizada que forçou a intervenção direta do Papa Pio 12.
Briga na final e futebol proibido por 20 anos
O torneio inaugural, organizado logo após a Segunda Guerra Mundial, contou com quatro equipes formadas exclusivamente por funcionários da Santa Sé. A grande final foi disputada entre os times Vilas Pontifícias e Fabbrica di San Pietro.
O clima de religiosidade, no entanto, deu lugar a cenas dignas de clássicos continentais: jogadores e torcedores entraram em um conflito violento. Diante do cenário caótico, o Papa Pio 12 tomou uma decisão drástica: encerrou a competição sem declarar um vencedor e proibiu a realização de torneios oficiais no Vaticano por cerca de 20 anos.
Durante esse hiato, apenas amistosos ocasionais eram permitidos.
Renascimento do esporte e a estrutura atual
O futebol só voltou a ganhar força oficial em 1966, com a fundação de novos clubes, culminando na criação de uma liga em 1972. Hoje, a estrutura é profissionalmente organizada pela ASD (Associazione Sportiva Dilettantistica – Sport in Vaticano), que desde 2015 também abrange outras modalidades, como o atletismo.
Atualmente, o calendário do futebol no Vaticano é composto por três competições principais:
- Liga: campeonato nacional;
- Copa: torneio de mata-mata;
- Supercopa: disputada entre os vencedores da Liga e da Copa.
Curiosamente, devido às limitações territoriais da cidade-estado, as partidas não ocorrem dentro do Vaticano, mas em campos vizinhos de onde é possível observar a icônica Basílica de São Pedro.
Seleção e o desejo do Papa Francisco
O Vaticano também possui uma seleção nacional, que estreou oficialmente em 1994 e utiliza as cores branco e amarelo. O time já foi treinado pontualmente pelo lendário Giovanni Trapattoni e mantém uma rivalidade amistosa com a seleção de Mônaco.
Embora não seja filiada à FIFA, a seleção do Vaticano mantém uma relação institucional próxima com a federação internacional.
O Papa Francisco, conhecido entusiasta do esporte, motivou durante o seu papado uma parceria com o presidente da FIFA, Gianni Infantino, para a organização de um jogo beneficente envolvendo lendas mundiais do futebol, reafirmando sua crença de que o esporte pode unir o mundo.


