Campo no meio do mundo: estádio brasileiro fica exatamente sobre a Linha do Equador

Localizado em Macapá, o Zerão é o único estádio do mundo construído sobre a Linha do Equador

Vista aérea do Zerão mostra o estádio construído exatamente sobre a Linha do Equador em Macapá

Vista aérea do Zerão mostra o estádio construído exatamente sobre a Linha do Equador em Macapá | Reprodução/YouTube

O Estádio Milton de Souza Corrêa, mais conhecido como Zerão, em Macapá (AP), é o único estádio do mundo dividido em dois hemisférios, com cada lado do campo situado exatamente sobre a Linha do Equador.

Essa localização exótica faz do Zerão um verdadeiro “campo no meio do mundo”, onde os jogadores podem atravessar o Hemisfério Norte e o Hemisfério Sul durante uma única partida.

A curiosidade geográfica transformou o estádio em um dos locais mais diferentes do futebol brasileiro.

Em campo, atletas literalmente tocam a bola em dois lados do planeta ao mesmo tempo, característica que colocou o Zerão entre os pontos turísticos e esportivos mais emblemáticos da Região Norte.

Inaugurado em 1990, o estádio tornou-se um dos principais símbolos esportivos do Amapá e atualmente recebe campeonatos estaduais, jogos do Brasileirão Série D, Copa Verde e outras competições importantes.

Além do futebol, o espaço também funciona como complexo olímpico com pista de atletismo e áreas destinadas a salto e lançamento.

Mais do que uma arena esportiva, o Zerão virou uma atração turística singular em Macapá.

A linha do meio-campo funciona como um marco geográfico vivo, tornando o estádio conhecido internacionalmente por sua posição exatamente sobre a Linha do Equador.

Origem e curiosidade geográfica

O Zerão foi projetado levando em consideração o fato de Macapá ser atravessada pela Linha do Equador, detalhe que inspirou o apelido do estádio.

O nome faz referência direta à latitude 0°, que corta a capital amapaense e transformou o local em um dos espaços esportivos mais curiosos do planeta.

A marca central do campo foi calculada para coincidir exatamente com essa linha imaginária.

Com isso, metade do gramado está localizada no Hemisfério Norte e a outra metade no Hemisfério Sul, algo que nenhum outro estádio do mundo reproduz da mesma forma.

Essa singularidade vai além do simbolismo turístico e pode ser percebida até durante os jogos.

Um atacante pode iniciar uma jogada em um hemisfério e concluir no outro em poucos segundos, enquanto companheiros de equipe ficam posicionados em lados diferentes do planeta.

A curiosidade atrai turistas, estudantes, pesquisadores e apaixonados por futebol que visitam o estádio para conhecer a famosa linha do “meio do mundo”. O local acabou se tornando um ponto de encontro entre esporte, geografia e turismo científico.

História, nomes e homenagens

O estádio foi inaugurado em 1990 como principal palco do futebol profissional amapaense.

Desde os primeiros anos de funcionamento, o Zerão passou a receber partidas importantes do calendário regional e ajudou a consolidar o crescimento do esporte no estado.

Em 1994, o local recebeu oficialmente o nome de Milton de Souza Corrêa, em homenagem ao ex-presidente da Federação Amapaense de Desportos. O dirigente faleceu em um acidente de trânsito e acabou eternizado na história do estádio.

Antes da homenagem definitiva, o estádio chegou a receber o nome do tricampeão mundial de Fórmula 1 Ayrton Senna. A denominação, porém, acabou sendo substituída posteriormente, enquanto o apelido Zerão permaneceu forte entre os torcedores.

Com o passar dos anos, o estádio consolidou-se como casa de clubes amapaenses de diferentes categorias. O local já recebeu partidas amadoras, confrontos da Copa do Brasil e jogos da Série D, mantendo a fama de estádio “cortado pelo mundo”.

Uso esportivo e estrutura atual

Hoje, o Zerão é considerado um dos principais centros esportivos da Região Norte do Brasil. O estádio recebe partidas do Campeonato Amapaense, Copa Verde, Série D do Campeonato Brasileiro e competições de base, além de eventos esportivos locais.

O complexo também possui pista de atletismo e áreas voltadas para modalidades olímpicas. Isso ampliou a função do espaço além do futebol, permitindo que atletas de diferentes esportes utilizem a estrutura para treinamentos e competições.

A arena conta com capacidade para mais de 10 mil torcedores, além de arquibancadas, vestiários e setores destinados à imprensa e à segurança. A estrutura atende às exigências necessárias para receber competições nacionais e eventos esportivos oficiais.

Mesmo durante períodos de reformas e adaptações, o Zerão nunca deixou de receber partidas importantes. O estádio segue ativo e mantém grande importância para o cenário esportivo do Amapá.

Simbolismo turístico e cultural

Além da relevância esportiva, o Zerão funciona como um dos principais cartões-postais de Macapá. Muitos turistas visitam o estádio para viver a experiência de pisar simultaneamente nos hemisférios Norte e Sul em um mesmo local.

A proximidade com o Marco Zero da Linha do Equador fortalece ainda mais o potencial turístico da região. O estádio integra um conjunto de atrações ligadas à geografia e ao turismo científico-recreativo na capital amapaense.

Para os moradores locais, o Zerão representa orgulho regional, identidade e pertencimento. O estádio tornou-se um símbolo capaz de conectar o Amapá ao restante do planeta por meio de uma característica geográfica rara.

Projetos culturais, turísticos e educacionais utilizam o estádio como ponto de partida para abordar temas ligados à geografia, ao futebol e ao desenvolvimento regional. Dessa forma, o Zerão consolidou-se como um patrimônio simbólico e cultural do Norte do Brasil.