Como surgiu a tradição de estourar champanhe no pódio da Fórmula 1?

Tudo começou com uma garrafa quente, um piloto lendário e o erro mais glorioso da história das corridas

Cena que hoje parece obrigatória foi, na verdade, um ato de pura espontaneidade

Cena que hoje parece obrigatória foi, na verdade, um ato de pura espontaneidade | Eduardo Knapp/Folhapress

Um dos maiores momentos da história das corridas é quando o hino nacional ecoa, os troféus brilham sob os holofotes e os pilotos, eufóricos, sobem rumo ao pódio.

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Ouve-se o barulho inconfundível da rolha sendo sacada com violência. Em segundos, um jato dourado e espumante explode, encharcando macacões, capacetes e a própria história do esporte. É a imagem definitiva da vitória, o batismo da glória.

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Mas você já parou para pensar qual é a origem da tradição de estourar champanhe no pódio da Fórmula 1 e das outras categorias? A resposta é uma mistura de acaso, calor e a pura alegria de um campeão.

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Um brinde que nasceu por acaso em Le Mans

A cena que hoje parece obrigatória foi, na verdade, um ato de pura espontaneidade. O palco não foi um Grande Prêmio de Fórmula 1, mas sim a lendária corrida das 24 Horas de Le Mans, em 1967.

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O protagonista foi o piloto americano Dan Gurney, que, ao lado de A.J. Foyt, levou a Ford a uma vitória histórica sobre a Ferrari.

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Ao receber a garrafa de Moët & Chandon no pódio, algo diferente aconteceu. O dia estava quente, a multidão era vibrante e a garrafa, agitada pela celebração, estava sob imensa pressão. Gurney, contagiado pela emoção, simplesmente fez o que seu instinto mandou:

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  • Inspiração: Gurney olhou para os fotógrafos, para o CEO da Ford, Henry Ford II, e para os rostos eufóricos ao seu redor;
  • Ação: em um gesto impulsivo, ele agitou a garrafa com força e disparou o champanhe sobre todos, criando uma imagem icônica que seria eternizada;
  • Legado: o momento foi tão marcante e a foto correu o mundo com tanta velocidade que, no ano seguinte, o piloto Jackie Stewart repetiu o gesto ao vencer o GP da França de F1. A tradição havia nascido.

Celebração antes da explosão

Embora o banho de champanhe tenha sido uma invenção de Gurney, a bebida já fazia parte do pódio. A tradição de presentear o vencedor com uma garrafa de champanhe começou muito antes, no Grande Prêmio da França de 1950, em Reims, uma região famosa pela produção da bebida.

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Naquela ocasião, o lendário Juan Manuel Fangio recebeu uma garrafa como parte da premiação. O gesto era elegante, um brinde formal à vitória.

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Por mais de uma década, os pilotos simplesmente recebiam a garrafa, talvez abrindo-a para um gole discreto ou guardando-a como um troféu líquido. Ninguém imaginava a bagunça gloriosa que estava por vir. O champanhe era um prêmio, não a festa em si.

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De Le Mans para o mundo: o ritual que contagiou o esporte

O que Dan Gurney fez em Le Mans foi transformar um símbolo de luxo em um símbolo de pura euforia. A Fórmula 1 adotou o ritual quase que instantaneamente, e ele se tornou tão essencial quanto a bandeira quadriculada.

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A imagem do piloto no topo do pódio, encharcado e sorrindo, virou a representação máxima do sucesso no automobilismo.

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A força dessa imagem foi tão grande que extrapolou a F1 e as corridas de longa duração. Logo, categorias como a MotoGP, a IndyCar e a Nascar também adotaram sua própria versão da celebração.

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O gesto de estourar o espumante se tornou uma linguagem universal no esporte a motor, um sinal de que todo o esforço, o risco e a dedicação valeram a pena.

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Aquele jato de champanhe é muito mais do que uma bebida derramada. É o som da vitória, a liberação de toda a tensão acumulada em centenas de voltas no limite. É a explosão de alegria que lava a alma e consagra um herói. É a prova de que, às vezes, os melhores momentos da história nascem de um glorioso e inesperado acidente.