De ‘humilhado’ a melhor amigo: Garrincha teve cão amuleto na Copa de 1962

Animal invadiu partida e se tornou o '23º jogador' na conquista do bicampeonato da Seleção, sendo adotado pelo Camisa 7 ao fim do Mundial

Episódio, considerado uma das passagens mais folclóricas do esporte, transformou um pequeno vira-lata em um herói brasileiro

Episódio, considerado uma das passagens mais folclóricas do esporte, transformou um pequeno vira-lata em um herói brasileiro | Reprodução

Em um clima de guerra durante o duelo válido pelas quartas de final de uma Copa do Mundo, no qual Brasil e Inglaterra disputavam uma vaga na semi, o maior driblador da história do futebol acabara sendo, ele mesmo, “entortado” por um invasor de quatro patas. Após isso, o cão se torna seu “amuleto” e é adotado pelo jogador como símbolo do título Mundial.

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O episódio, considerado uma das passagens mais folclóricas do esporte, transformou um pequeno vira-lata no “23º jogador em campo” e em um ícone do bicampeonato brasileiro: a entrevista é sobre Mané Garrincha, herói do segundo título mundial brasileiro, ao lado do seu até então futuro cachorro, o Bi.

Quartas de final e show animal em campo

O confronto de 1962, no Chile, já era tenso por si só. O Brasil estava desfalcado de Pelé, e a responsabilidade de liderar a Seleção recaía sobre Mané Garrincha.

Durante um ataque brasileiro, o meio-campista Zito percebeu que não era perseguido apenas por marcadores ingleses, mas também por um cãozinho ágil que invadiu o gramado do Estádio Sausalito.

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O árbitro foi forçado a interromper a partida, dando início a uma verdadeira “caçada”. Jogadores de ambos os times tentaram capturar o animal, mas foram driblados um a um, para o delírio do público.

O momento mais marcante ocorreu quando Garrincha, o “Rei do Drible”, tentou encurralar o “perro”: com um desconcertante drible de corpo, o cachorro deixou o craque para trás, arrancando gargalhadas das arquibancadas.

Estratégia inusitada de Jimmy Greaves

Enquanto Garrincha e outros falhavam na captura, o atacante inglês Jimmy Greaves decidiu mudar de tática. Ele ficou de quatro no gramado, encarando o cãozinho face a face para ganhar sua confiança. O bote foi certeiro, e Greaves finalmente conseguiu retirar o animal de campo.

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Contudo, o “doguinho” não deixou barato: em um gesto de irreverência que ficou para a história, o animal “batizou” a camisa do artilheiro inglês com um xixi.

Anos depois, Greaves relembrou que, em solo brasileiro, ele passou a ser conhecido não pelos seus gols, mas como “o homem que pegou o cachorro do Garrincha”.

De invasor a amuleto: o nascimento de ‘Bi’

O que ninguém esperava era o desfecho dessa história fora das quatro linhas. Garrincha ficou tão encantado com a agilidade e a audácia do vira-lata que decidiu que ele deveria ser seu. O craque brasileiro adotou o animal e o levou para sua casa no Rio de Janeiro.

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Após o Brasil vencer a Inglaterra por 3 a 1 e, posteriormente, garantir o título mundial, o cachorro recebeu seu nome definitivo: Bi, uma homenagem direta ao bicampeonato conquistado pela Seleção.

O pequeno invasor, que começou o dia como um estorvo para a organização, terminou a Copa como o amuleto de um dos maiores gênios da história do futebol.