As partidas da Copa do Mundo começaram a ser acompanhadas ao vivo pela televisão em 1970, ano do tricampeonato mundial do Brasil. Até 1966, as transmissões eram realizadas apenas pelo rádio. Com o passar dos anos, muitas dificuldades passaram a existir, afetando a presença do setor na competição de seleções mais badalada do futebol.
Entre os principais fatores que prejudicaram o alcance do rádio está a cobrança dos direitos de exibição e reprodução de conteúdo, conforme a Lei de Direitos Autorais (9.610/1998). Estações tradicionais como a Super Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, e a Jornal, do Recife, já confirmaram ausência no torneio por não concordarem com as altas cifras exigidas pela Fifa.
O valor dos direitos de transmissão da competição cobrado pela entidade é de US$ 500 mil, o dobro do preço exigido no Mundial do Catar em 2022.
Além do custo de exibição, as empresas precisam gastar ainda mais com passagens, hospedagens, diárias, impostos, custos para remeter dinheiro, etc. Muitas emissoras, como forma de diminuir os custos, optam por não enviar equipes ao local do torneio, preferindo narrar as partidas assistindo à televisão.
A Copa de 2026 será realizada entre os dias 11 de junho e 19 de julho, com sede nos Estados Unidos, México e Canadá. Apesar dos desafios financeiros, algumas rádios conceituadas no cenário esportivo estarão presentes, como é o caso da Bandeirantes, BandNews FM, Jovem Pan, Sistema Globo, Itatiaia, Gaúcha, Energia 97 e TMC.
Evolução dos meios digitais
A mudança contemporânea dos meios de comunicação afetou a forma como o público assiste às partidas. Canais no YouTube com transmissões gratuitas, como CazéTV e geTV, facilitam o acesso aos jogos e proporcionam a reação dos narradores, transformando os bastidores em um espetáculo à parte. Essas novas plataformas criaram uma nova gramática em que o rádio é assistido, e não apenas ouvido.
O consumo se expandiu além dos 90 minutos de bola rolando. Análises táticas, debates e documentários em áudios sobre histórias da Copa são distribuídos em formato de podcast e viralizam nas redes sociais.
Antigamente, o rádio competia com a televisão pela atenção do torcedor. Porém, o recurso se uniu à imagem e se tornou mais interativo, com maior alcance e melhor qualidade.
O pesquisador Marcelo Kischinhevsky, uma das maiores referências no Brasil sobre adaptação do rádio, aponta que o setor deixou de ser exclusivamente hertziano (onda AM/FM). Ele reforça que as transmissões adotaram o streaming e as redes sociais para transformar o ouvinte em um “coprodutor” do conteúdo, aumentando a interatividade imediata em Copas.
As colocações foram inseridas no livro “Rádio e Mídias Sociais: mediações e interações radiofônicas em plataformas digitais”, escrito pelo próprio Kischinhevsky.
