O ex-goleiro Bruno, condenado a 22 anos de prisão pelo homicídio triplamente qualificado de Eliza Samudio, surpreendeu o público ao retornar para o Estádio do Maracanã para acompanhar o jogo entre Flamengo e Internacional, realizado nessa quarta-feira (4), pela segunda rodada do Brasileirão.
Publicações feitas nas redes sociais oficiais do ex-atleta mostram Bruno circulando pelos arredores do complexo esportivo com uma camisa e uma bandeira do rubro-negro, além de um copo de cerveja na mão. Ele também postou imagens nas arquibancadas.
“Vamos, galera, hoje é dia de jogão. Flamengo e Internacional. Três pontos, pai. Tenho certeza de que vai dar certo. Estou de frente para o palco. Alô, nação rubro-negra, vamos que vamos para cima. Partiu, bora”, disse o ex-jogador em uma das postagens.
Em outra mídia, Bruno destacou a emoção de retornar ao Maracanã, local onde viveu o auge de sua carreira profissional.
“Fala, galera, estamos na frente do Maracanã. Recordar é viver, viver uma história completamente diferente. A emoção é muito grande. Tanto lá dentro, e você vive essa emoção muito maior aqui fora”, afirmou.
Passagem pelo Flamengo.
Bruno defendeu o Flamengo entre 2006 e 2010, período em que chamou a atenção do futebol nacional pela conquista de títulos pelo rubro-negro. Ele chegou a ocupar o cargo de capitão da equipe e foi cotado na época para a Seleção Brasileira principal.
Volta aos gramados e demissão.
No último mês de janeiro, Bruno voltou a atuar profissionalmente pelo Capixaba S.C., do Espírito Santo. Entretanto, o ex-goleiro foi demitido pelo time após denunciar salários atrasados e falta de estrutura para os jogadores.
A equipe capixaba negou as acusações e justificou as atuais dificuldades pelas perdas de “apoios e patrocínios” após o anúncio de Bruno como jogador oficial do plantel.
Desde que recebeu a liberdade condicional da Justiça do Rio de Janeiro em 2023, Bruno vinha atuando por equipes amadoras pelo Brasil. Ele ainda mantém vínculo com o Rive Atlético Clube, da cidade de Alegre, no Espírito Santo.
Caso Eliza Samudio.
Bruno foi condenado a 22 anos e três meses de prisão pelo assassinato e ocultação de cadáver de Eliza Samudio.
A atriz desapareceu em 4 de julho de 2010, depois de comunicar que realizaria uma viagem. Desde então, a mulher, de 25 anos na época, nunca mais foi vista e foi considerada morta depois que suspeitos assumiram o envolvimento no assassinato.
A jovem conheceu Bruno Fernandes de Souza entre o final de 2008 e o começo de 2009. Ela mantinha um caso extraconjugal com o homem, então jogador profissional e titular do Flamengo.
A atriz engravidou de Bruno e tornou a gestação pública em 2009. O filho do casal, Bruninho, nasceu em fevereiro de 2010. A repercussão do caso teria gerado a negativa do então atleta em assumir a criança.
O último relato sobre o paradeiro da mulher foi em um sítio de Bruno em Minas Gerais. A polícia localizou peças de roupas e fraldas no local. Os restos mortais da atriz nunca foram encontrados. Bruninho foi resgatado na periferia de Belo Horizonte.
Condenados pelo assassinato de Eliza Samudio contaram versões sobre o que teria acontecido com a mãe do filho do ex-goleiro. A principal confissão é que ela teria sido estrangulada e, depois de morta, foi esquartejada.
A história foi divulgada na época como uma trama amplamente planejada por Bruno, condenado a 20 anos de prisão pelo crime. Ele nunca confessou ter premeditado a morte de Eliza.
Passaporte de Eliza Samudio encontrado em Portugal.
Mais de 15 anos depois, o caso voltou a ganhar repercussão depois que um passaporte atribuído a Eliza Samudio foi encontrado em um apartamento em Portugal. Segundo relato, o documento foi encontrado no fim de 2025, em uma estante do imóvel.
O morador, que preferiu não se identificar, disse que vive no local com a esposa e a filha, além de dividir o espaço com uma senhora e um jovem que alugam cômodos na propriedade.
O homem afirmou que encontrou o passaporte enquanto manuseava livros na estante e que ficou surpreso ao reconhecer o nome e a foto de Eliza Samudio. A mãe da modelo desabafou após a descoberta e cobrou respostas das autoridades.
A apuração confirmou que o documento estava em bom estado de conservação e que registrava apenas uma entrada no país europeu em maio de 2007, cerca de três anos antes do desaparecimento da jovem. Não havia registro de saída.
O Consulado-Geral do Brasil em Lisboa informou que o documento da atriz foi recebido no dia 2 de janeiro e que o órgão realizou uma consulta oficial com o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) em Brasília sobre qual destinação dar ao passaporte e que aguarda instruções sobre o procedimento.
