Câmara de SP extingue mandato de vereador por infidelidade partidária

Daniel Annenberg trocou PSDB pelo PSB e disse que a sigla tucana 'ignora suas origens'; o parlamentar vai recorrer ao TSE

O vereador Daniel Annenberg

O vereador Daniel Annenberg | Luiz França/CMSP

A Câmara Municipal de São Paulo extinguiu na tarde desta quinta-feira o mandato de Daniel Annenberg (PSB), em cumprimento da decisão do TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) de cassar o mandato do vereador por infidelidade partidária. Em seu lugar foi empossado o suplente Beto do Social (PSDB).

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O vereador teve o mandato cassado pela Justiça eleitoral por desfiliação partidária sem justa causa. A ação foi movida pelo PSDB, sigla pela qual ele foi eleito para o cargo e na qual estava há 17 anos. Em nota, Annenberg diz que irá recorrer da decisão ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Em nota, enviada à reportagem da Gazeta, Annenberg explicou que tomou a decisão pelo partido ter passado a “ignorar suas origens cunhadas nos princípios da social-democracia para apoiar causas e projetos que não atuam para a redução das enormes desigualdades do Brasil, passando inclusive a contrariar o seu próprio estatuto em votações tanto no Congresso Nacional, quanto nas casas legislativas do estado e do município”.

“O grande desafio no Brasil sempre foi aliar o desenvolvimento econômico à redução das desigualdades. Por isso sou um social democrata convicto e sigo acreditando na contínua construção de uma sociedade com uma sólida democracia. Assim, entraremos com recurso no TSE (Tribunal Superior Eleitoral)”, completou.

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Nas eleições presidenciais de 2018, por exemplo, Annenberg anunciou apoio a Fernando Haddad (PT) contra Jair Bolsonaro (à época no PSL, hoje no PL), apesar de demonstrar ser contrário a boa parte das ideias do petista, em caminho contrário de parte dos tucanos pelo Brasil.

Em agosto do ano passado, o parlamentar anunciou sua filiação ao PSB. “O momento exige que possamos lutar com todas as nossas forças para a implantação de um projeto de reconstrução do nosso país”, escreveu ele pelo Instagram.

“Sigo com meus ideais de social-democrata, pronto para os desafios de alcançar um Brasil mais justo, humano e democrático”, completou, ao explicar que não mudaria seu posicionamento político apesar da troca de sigla.

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A cassação de Annenberg ocorreu durante sessão plenária no TRE-SP desta terça-feira (14). Para o relator do caso, desembargador Silmar Fernandes, não ficou caracterizada a mudança substancial na ideologia do partido que tenha “levado à alguma supressão ou modificação de dispositivos estatutários ou de preceitos programáticos”.

Ainda, segundo o relator, os depoimentos das testemunhas de defesa do vereador não apresentaram “fatos concretos que amparem a existência de alteração essencial no programa partidário do PSDB”.