Um ícone da cidade de São Paulo, o MASP – Museu de Arte de São Paulo, foi idealizado pelo jornalista e empresário paraibano Assis Chateaubriand (1892-1968) e pelo crítico de arte italiano Pietro Maria Bardi (1900-1999).
Segundo historiadores, Assis Chateaubriand, na época dono do maior conglomerado de mídia do país, os Diários Associados, diante do crescimento urbano em substituição ao ciclo do café, após a crise econômica de 1929, decidiu que era a hora do Brasil ter um museu de nível internacional. Porém, por não entender de arte, chamou Pietro Bardi, que estava em visita ao Brasil com a esposa, a arquiteta Lina Bo Bardi (1914-1992), para fazer as aquisições para a futura instituição.
A ideia de Chateaubriand era instalar o museu na cidade do Rio de Janeiro e chamá-lo de Museu de Arte Antiga e Moderna. Contudo, as duas ideias caíram por terra quando percebeu que seria mais fácil angariar fundos na capital paulista e ao ser alertado por Bardi que apenas Museu de Arte soaria melhor e seria capaz de englobar um universo maior de possibilidades.
Em 1947 o MASP nasceu, mas engana-se quem pensa que ele sempre esteve na Avenida Paulista. Sua primeira casa foi na Rua 7 de Abril, no centro da cidade, no mesmo prédio onde funcionava a sede dos Diários Associados.
Do Belvedere ao MASP
A princípio, o MASP ocupava apenas o segundo andar do edifício dos Diários Associados, porém a instituição foi crescendo e ocupando mais andares. Ao passo que em meados da década de 1950 passou-se a procurar um novo prédio para instalar a instituição.
O escolhido foi o espaço onde antes funcionava o Belvedere Trianon, um local com salões de festas e confeitarias, que era ponto de encontro da elite paulistana. O local havia sido demolido, em 1951, para receber a primeira Bienal Internacional de São Paulo e seu terreno doado à Prefeitura por Joaquim Eugênio de Lima, com a condição de que sua vista para o centro da cidade, através da Avenida Nove de Julho, fosse preservada.
Por meio de um arranjo político, Chateaubriand conseguiu a concessão do terreno e coube a Lina Bo Bardi a concepção arquitetônica do Museu, que para preservar a vista foi dividido em uma edificação subterrânea e outra suspensa apoiada sobre quatro pilares laterais, que resultou em um vão livre de 74 metros, o maior do mundo na época.

A construção da nova sede do MASP demorou 11 anos para ficar pronta. A inauguração, em 8 de novembro de 1968, foi um sucesso, com ruas lotadas e a presença da Rainha Elizabeth II e do príncipe Filipe, da Inglaterra. A rainha fez o discurso de inauguração.
Inauguração
A construção da nova sede do MASP demorou 11 anos para ficar pronta. A inauguração, em 8 de novembro de 1968, foi um sucesso, com ruas lotadas e a presença da Rainha Elizabeth II e do príncipe Filipe, da Inglaterra. A rainha fez o discurso de inauguração.
Na nova sede, além da arquitetura externa, outra inovação chamou a atenção: a forma de expor a coleção permanente, por meio de blocos de concreto, como suporte para as pinturas. Em texto de 2019, a curadora e pesquisadora Pryscila Gomes disse o seguinte sobre os cavaletes de Lina Bo Bardi: “Surgiram como uma proposta indissociável de um museu que buscava o livre convívio do visitante com suas obras. Uma relação bastante específica, que sob a proposta de um cavalete em vidro, propicia certa ruptura com a aura da obra de arte.”
Grandes exposições
Assis Chateubriand não chegou a ver o MASP em seu endereço atual, pois faleceu antes da inauguração. Já Pietro Bardi, que trabalharia no Museu apenas por um ano, mudou-se para o Brasil e dirigiu a instituição por cerca de meio século.
Hoje, o MASP conta com um acervo de mais de 11 mil peças e é um dos museus mais importantes do mundo, tendo recebido ao longo de sua história grandes exposições, como a de Tarsila do Amaral, com quase 403 mil visitantes durante três meses, no ano de 2019.
