Opinião: O poder transformador de um bom plano de bairro

O que se espera com a disseminação dos Planos de Desenvolvimento de Bairro é que o modelo alcançado nos Jardins seja expandido para outras regiões

Parque Trianon, na avenida Paulista, região central de São Paulo

Parque Trianon, na avenida Paulista, região central de São Paulo | Divulgação

A prefeitura de São Paulo está, neste momento, trabalhando na revisão do Plano Diretor Estratégico (PDE) da cidade, que traz uma série de instrumentos e objetivos que buscam dar uma nova lógica de funcionamento para o nosso município, equilibrando oferta de emprego e moradia, melhorando a mobilidade e otimizando a ocupação das áreas ao longo da rede de transporte coletivo. Isso com o intuito de reduzir a vulnerabilidade social e urbana, que, em uma cidade da dimensão de São Paulo, são enormes.

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Em paralelo à execução do Plano Diretor, de acordo com site da prefeitura de São Paulo, o poder público coordenará e fomentará a elaboração dos Planos de Desenvolvimento de Bairro, a fim de fortalecer o planejamento e controle social local e visando promover melhorias urbanísticas, ambientais, paisagísticas e habitacionais na escala local por meio de ações, investimentos e intervenções previamente programadas.

Os planos de bairro, portanto, são tão importantes quanto termos um Plano Diretor que contemple a cidade como um todo, pois este tem, claramente, um caráter mais geral, que não garante o desenvolvimento dos bairros de uma forma planejada. Por mais detalhista que o Plano Diretor seja, ele não está considerando a discrepância de renda e de recursos que há em cada localidade, nem inclui peculiaridades que são fundamentais em um bairro, como o número de escolas ou de unidades básicas de saúde (UBS) que este deve ter para atender sua população.

Com o planejamento local, a cidade poderá ser repensada área a área, para depois abranger o município como um todo. E essa é a lógica que devemos seguir se quisermos, de fato, garantir o crescimento sustentável da cidade sem desvirtuar as características sociais, urbanas e ambientais de cada bairro. Mas, sim, melhorando-as, a partir da identificação, realizada com a ajuda e participação efetiva dos moradores, das necessidades não alcançadas no âmbito do PDE.

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Um exemplo dos efeitos benéficos de um bom plano de bairro pode ser visto na área que abrange os jardins América, Paulista, Paulistano e Europa, loteada e desenvolvida há mais de 100 anos pela Companhia City. Referência em qualidade de vida, a região até hoje mantém o equilíbrio entre espaços de moradia, áreas verdes e opções de serviços, tendo crescido de forma bem estruturada e, por isso, sendo um dos locais mais cobiçados da cidade para se viver.

Pela importância ambiental e paisagística para nossa cidade, toda essa área recebeu, em 1986, proteção especial do CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo através de tombamento. A AME Jardins, associação que desde 2007 representa os interesses dos moradores desses bairros, tem trabalhado para preservar tal modelo de urbanização, que está consolidado e é de relevância incontestável para toda cidade de São Paulo. Nesse sentido, o Plano de Bairro proposto pela prefeitura será fundamental: com ele, a identidade da região, bem como sua importância histórica e cultural e os equipamentos e áreas verdes será preservada, ao mesmo tempo que continuaremos trabalhando para o crescimento sustentável da área dos Jardins.

O que se espera, com a disseminação dos Planos de Desenvolvimento de Bairro, é que o modelo alcançado nos Jardins seja expandido para outras regiões do município, apontando caminhos para que, juntos, o poder público e a comunidade possam identificar e realizar as ações que reverterão nas melhorias necessárias para o crescimento de cada área da cidade.

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*Fernando de Sampaio Barros é publicitário, jornalista e presidente da AME Jardins, associação de moradores dos bairros dos jardins América, Europa, Paulista e Paulistano