Academia pós-Dengue: saiba quando é seguro voltar aos treinos

Pressa pode esconder riscos graves como miocardite e hemorragias internas; especialistas recomendam cautela e hidratação

De acordo com especialistas, a volta deve ser gradual, com a certeza de plena recuperação, quando os sintomas já não são mais sentidos

De acordo com especialistas, a volta deve ser gradual, com a certeza de plena recuperação, quando os sintomas já não são mais sentidos | Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas

Retomar a rotina após ser infectado pelo vírus da dengue é um processo que requer paciência e recuperação. Para quem pratica exercícios físicos regularmente, é normal sentir a necessidade de calçar o tênis e voltar a levantar peso. Desta forma, uma dúvida toma a cabeça dos atletas: quando é possível voltar a treinar depois de testar positivo?

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De acordo com especialistas, a volta deve ser gradual, com a certeza de plena recuperação, quando os sintomas já não são mais sentidos. O prazo, no entanto, pode variar de acordo com cada pessoa e com a gravidade da doença.

Portanto, a recomendação é iniciar com cargas e intensidades mais leves, progredindo de acordo com o organismo. É desaconselhado realizar qualquer atividade física durante o período de infecção, mesmo que os sintomas estejam mais fracos.

O Ministério da Saúde do Brasil destaca a necessidade da hidratação intensa assim que a doença for diagnosticada, uma vez que a doença causa desidratação severa.

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A pessoa acometida deve se atentar aos seguintes sinais que podem indicar uma possível reavaliação médica:

  • Febre persistente por mais de cinco dias;
  • Dor abdominal intensa e contínua;
  • Vômitos persistentes;
  • Hipotensão postural (queda de pressão ao se levantar, podendo causar escurecimento da visão ou desmaio);
  • Irritabilidade ou alteração do nível de consciência, como confusão mental;
  • Sangramentos.

O recomendado é um atendimento médico imediato após o surgimento de algum dos sintomas. É contraindicado se automedicar sem a prescrição de um especialista.

Problemas: dengue x academia

Um dos principais danos associados à dengue é a queda de plaquetas e o aumento da permeabilidade dos vãos, já que o vírus ataca as células que revestem os vasos sanguíneos. Esse efeito provoca o “vazamento” do plasma dos vasos.

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Durante a musculação ou a corrida, a pressão arterial sobe e o fluxo sanguíneo aumenta de forma considerável. Caso os vasos sejam frágeis e o número de plaquetas seja baixo demais para estancar vazamentos, o esforço pode resultar em hemorragias internas ou hematomas musculares graves.

Além disso, a doença ou a resposta inflamatória do corpo atinge o miocárdio (o músculo do coração), causando uma miocardite (inflamação do músculo).

Um coração prejudicado perde a capacidade de bombear sangue de forma eficiente e se torna eletricamente instável. Desta forma, o estresse da atividade física de alta intensidade provoca o risco de uma arritmia severa e, em casos mais extremos, o de uma morte súbita.

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Em muitos casos de dengue, o fígado e o baço aumentam e ficam sensíveis à inflamação viral. Atividades que envolvem impacto ou grande pressão intra-abdominal podem causar a ruptura de órgãos inchados. A dor abdominal é um sinal citado em guias de manejo oficiais.

A medicina recomenda que o paciente aguarde, no mínimo, de 48 a 72 horas após o desaparecimento total dos sintomas para iniciar atividades muito leves. Outra alternativa é a avaliação especializada e a liberação seguida de uma consulta.