Animal peculiar da Amazônia se parece com um tronco e tem a cabeça triangular

Essa espécie de tartaruga foge totalmente do padrão na aparência e no comportamento

Apesar da aparência intimidadora, o animal é totalmente inofensivo para os humanos

Apesar da aparência intimidadora, o animal é totalmente inofensivo para os humanos | J. Patrick Fischer/Wikimedia Commons

Nas águas lentas e turvas das bacias dos rios Amazonas e Orinoco vive um dos animais mais curiosos da América do Sul: a tartaruga matamatá (Chelus fimbriata).

Com uma aparência que desafia qualquer padrão, o réptil parece uma mistura de vários animais diferentes. Sua cabeça é achatada e triangular, e a carapaça lembra uma folha seca. 

Além disso, o focinho alongado funciona como um snorkel (instrumento de mergulho) natural, ajudando-o a respirar enquanto permanece imóvel na água.

A espécie pode ser encontrada em diferentes regiões do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela e nas Guianas.

Como se comportam

De acordo com o portal Discover Wildlife, a forma como a tartaruga matamatá se alimenta é uma obra-prima de furtividade. 

Disfarçada entre galhos e águas turvas, ela age como um predador de emboscada,  ou seja, permanece imóvel a maior parte do tempo esperando que pequenos peixes ou invertebrados aquáticos se aproximem.

No instante certo, abre a boca com tanta velocidade que cria um vácuo, sugando a presa para dentro sem precisar morder.

Apesar da aparência intimidadora, essa tartaruga é totalmente inofensiva para os humanos, explica o Discover Wildlife.

Existem duas espécies distintas

A tartaruga matamatá (Chelus fimbriata) foi descrita pela primeira vez em 1783, mas, até pouco tempo atrás, pensava-se que se tratava de uma única espécie.

Em 2020, porém, pesquisadores do Brasil, Colômbia, Alemanha e Reino Unido identificaram uma nova variação desse animal: a Chelus orinocensis.

Ambas se alimentam de peixes e têm cerca de 50 centímetros de comprimento, mas são um pouco diferentes e habitam regiões distintas. 

“A Chelus fimbriata tem a carapaça escura, mais retangular e ocupa as bacias dos rios Amazonas, no Brasil, e Mahury, na Guiana Francesa”, contam os especialistas na publicação do estudo.

“Já a espécie Chelus orinocensis tem o dorso amarelado e vive nas bacias dos rios Orinoco, que corta a Colômbia e a Venezuela, e do alto rio Negro, no Brasil”, explicam.

Mais curiosidades sobre o animal

A tartaruga matamatá costuma ser confundida com rãs ou até com pedaços de madeira, já que seu corpo irregular e o focinho alongado permitem que respire na superfície sem precisar expor o corpo submerso.

Diferente da maioria das tartarugas, ela quase não nada. Em vez disso, prefere andar lentamente pelo fundo dos rios ou permanecer imóvel, confiando em sua camuflagem para passar despercebida. 

Seu metabolismo é lento, o que a ajuda a suportar longos períodos sem alimento, uma adaptação perfeita para ambientes onde a comida é escassa.

Além disso, mesmo que a aparência desagrade alguns, a matamatá faz parte do mercado de animais exóticos de estimação. Em 2018, por exemplo, cerca de 400 exemplares que seriam contrabandeados da Colômbia para o Peru foram resgatados.