‘Aos 55 anos, a conta chega’: o que muda no corpo e na saúde a partir da meia-idade

Entenda por que a fase entre 55 e 74 anos se tornou o foco de pesquisas sobre longevidade e o que você pode fazer para viver mais e melhor

Sociólogo Serge Guérin aponta os 55 anos como marco em que escolhas antigas ficam mais visíveis, mas ainda dá tempo de mudar

Sociólogo Serge Guérin aponta os 55 anos como marco em que escolhas antigas ficam mais visíveis, mas ainda dá tempo de mudar | Freepik

A longevidade contemporânea deixou de ser apenas resultado de avanços médicos. Ela passou a depender, cada vez mais, de como as décadas são vividas.

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Nesse cenário, pesquisadores vêm observando que envelhecer bem é menos um acaso e mais o acúmulo de escolhas feitas muito antes da velhice.

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Essas escolhas não são só individuais, mas moldadas pelo ambiente em que se vive, que inclui tantos hábitos pessoais quanto fatores sociais e econômicos.

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O ponto de inflexão da meia-idade

Segundo Serge Guérin, sociólogo especializado em envelhecimento e autor do livro “Et si les vieux aussi sauvaient la planète?” (“E se os idosos também salvassem o planeta?”), existe um marco decisivo.

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Em entrevista ao programa de TV francês “La Matinale”, ele declarou que “aos 55 anos, a conta chega”.

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O período entre 55 e 74 anos se tornou central para explicar a longevidade moderna. Nessa fase, o corpo tende a mostrar com mais nitidez o que foi construído, ou negligenciado, ao longo do tempo.

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Quando se é mais jovem, muitos sinais de alerta parecem distantes e acabam ignorados. Na meia-idade, os efeitos de hábitos antigos ficam mais evidentes e podem ser mais difíceis de reverter.

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Como resume Guérin, “aos 55 anos, pagamos por comportamentos que não tínhamos, ou que não podíamos adotar, quando éramos mais jovens”.

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Onde se vive por mais tempo

Espanha, Itália e Suíça estão entre os países com maior expectativa de vida da Europa. Para Guérin, isso se liga a condições materiais e à qualidade do cotidiano nesses lugares.

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Ele argumenta que prosperidade econômica costuma caminhar com melhores serviços, menos estresse e maior bem-estar coletivo.

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“Vivemos mais em áreas onde as coisas vão bem. Talvez também queiramos viver mais nesses lugares, justamente porque tudo está indo bem”, afirma.

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Por outro lado, ele cita os Estados Unidos, em uma trajetória oposta, com queda na expectativa de vida por quatro anos consecutivos, apesar do aumento considerável em 2024.

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Esse recuo ocorreu em um contexto social mais desfavorável, marcado por desigualdades e fragilidades no sistema de proteção social e de saúde.

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Corpo, vínculos e hábitos

Além de dieta e exercício físico, Guérin ressalta a importância das relações humanas para a saúde.

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Segundo ele, “quanto mais conectados estivermos, mais seguros nos sentiremos. E, quanto mais diversificados forem os nossos relacionamentos, melhor para nós”.

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O isolamento, ao contrário, atua como um fator de risco silencioso. Ele se soma a problemas biológicos e acelera o desgaste físico e emocional.

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Nesse ponto, ajuda a diferenciar solidão de escolha e afastamento involuntário, já que ficar sozinho por escolha pode ser saudável, mas o isolamento prolongado costuma cobrar um preço.

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Expectativa de vida nem sempre é linear

Estudos mostram que o aumento da expectativa de vida não segue uma trajetória contínua e pode sofrer retrocessos ao longo do tempo.

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Isso costuma ser atribuído a dois fatores. O primeiro são as condições oferecidas pela sociedade, como segurança econômica e vínculos sociais. O segundo envolve hábitos individuais ligados ao estilo de vida.

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Para Guérin, chegar aos 55 anos não é um ponto sem retorno. É só o momento em que as consequências das escolhas ficam mais claras, ou seja, ainda existe espaço para mudanças que podem melhorar a saúde e prolongar a vida.