A formação de um ciclone extratropical entre esta quarta (6/5) e quinta-feira (7/5) coloca em alerta grande parte do Sul do Brasil, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
O fenômeno, que tem potencial para se transformar em um ciclone bomba, deve provocar tempestades severas e rajadas de vento que podem atingir a marca dos 100 km/h.
Termo técnico assusta pelo nome e contribui para a queda grotesca da temperatura.
O que é um ciclone bomba?
O termo técnico para o fenômeno é “bombogênese” ou ciclogênese explosiva. Ele ocorre quando a pressão atmosférica no centro do sistema cai drasticamente — pelo menos 24 hPa em um intervalo de apenas 24 horas.
No caso atual, a previsão aponta que a pressão pode despencar de 994 hPa para 970 hPa entre sexta-feira (8/5) e sábado (9/5).
Essa rápida intensificação gera ventos muito fortes, capazes de derrubar árvores, torres de transmissão e comprometer estruturas altas.
Impactos esperados e regiões afetadas
O sistema começa a se organizar na Argentina e avança rapidamente pelo território brasileiro. Os principais riscos incluem:
- Chuvas extremas: o acumulado de chuva pode ultrapassar os 200 mm no Paraná, Mato Grosso do Sul e Uruguai;
- Ventos intensos: rajadas entre 80 km/h e 100 km/h são esperadas, especialmente na sexta-feira;
- Frio intenso: após a passagem da frente fria, uma massa de ar polar ganhará força, derrubando as temperaturas de forma acentuada no Sudeste e Centro-Oeste no próximo fim de semana.
Contexto global e mudanças climáticas
Eventos dessa natureza têm se tornado mais evidentes. Recentemente, um ciclone bomba histórico atingiu Nova Iorque, paralisando a cidade com recordes de neve e ventos com força de furacão.
Pesquisadores apontam que o aquecimento global desempenha um papel crucial, pois oceanos mais quentes fornecem mais energia (vapor de água) para a atmosfera. Quando esse ar quente e úmido colide com massas de ar frio vindas do Ártico ou da Antártida — muitas vezes deslocadas por instabilidades no vórtice polar —, a intensificação das tempestades torna-se explosiva.
Países com extensas áreas costeiras e correntes oceânicas quentes, como o Brasil e os Estados Unidos, são os mais suscetíveis a esses eventos extremos. Especialistas reforçam a necessidade de sistemas de alerta eficazes e planejamento urbano para mitigar danos à infraestrutura e proteger a vida da população.



