Cidade no interior do Brasil pode se tornar uma das mais ricas do País, entenda o caso

Município de pouco mais de 30 mil habitantes aparece no centro de uma disputa bilionária na Margem Equatorial

Município pobre pode ter seu PIB per capita lançado à estratosfera

Município pobre pode ter seu PIB per capita lançado à estratosfera | OBORÉ / Projeto Repórter do Futuro / WC

Oiapoque, no extremo norte do Amapá e fronteira com a Guiana Francesa, pode entrar no mapa das cidades mais ricas do país se avançar a exploração do petróleo na Margem Equatorial. Atualmente, a exploração está em pesquisa exploratória autorizada desde 2025.

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A Petróbras tem como objetivo verificar reservas economicamente viáveis na Bacia da Foz do Amazonas. Estudos sobre a Margem indicam que a nova fronteira petrolífera poderia movimentar bilhões de reais, gerar empregos e ampliar a arrecadação de estados e municípios do Norte e Nordeste.

Quanto Oiapoque poderia arrecadar?

O que há são estimativas regionais. Um estudo citado pela Confederação Nacional da Indústria projeta que a Margem Equatorial poderia gerar entre R$ 3,6 bilhões e R$ 5,4 bilhões por ano em royalties, considerando um cenário com produção em seis estados do Norte-Nordeste.

Para o Amapá, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional já citou estimativas de forte impacto econômico. O órgão menciona possível alta de até 61,2% no PIB estadual e geração de cerca de 54 mil empregos diretos e indiretos.

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Royalties de petróleo são uma compensação financeira paga por empresas que produzem petróleo e gás natural. O valor é recolhido mensalmente e distribuído entre União, estados e municípios, conforme regras definidas pela legislação e pela Agência Nacional Royalties de petróleo são uma compensação financeira paga por empresas que produzem petróleo e gás natural. O valor é recolhido mensalmente e distribuído entre União, estados e municípios, conforme regras definidas pela legislação e pela Agência Nacional do Petróleo (Foto: GuavaTrain / Wikimedia Commons)

Oiapoque aparece entre os municípios mais beneficiados pelos royalties em estudo recente. A cidade tem pouco mais de 30 mil habitantes, segundo estimativas recentes do IBGE.

Em um município desse porte, uma arrecadação anual de centenas de milhões de reais mudaria completamente a capacidade de investimento público e o PIB per capita.

Como está a exploração na Foz do Amazonas

A exploração de petróleo na Foz do Amazonas entrou em uma fase decisiva, mas ainda longe da produção comercial. A Petrobras está perfurando o poço Morpho, no bloco FZA-M-59, em águas profundas do Amapá, a cerca de 175 km da costa e 500 km da foz do rio Amazonas.

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A licença para a perfuração exploratória foi concedida pelo Ibama em outubro de 2025. Essa etapa serve para levantar informações geológicas e avaliar se há petróleo e gás em escala econômica. Ou seja, ainda não há produção nem pagamento de royalties ligados a essa operação.

A campanha foi interrompida em janeiro de 2026, após a identificação de vazamento de fluido de perfuração em linhas auxiliares. A infração foi punida com multas de R$ 2,5 milhões à Petrobras e uma reavaliação da operação.

Vazamento de fluídos reacende alerta de como possíveis vazamentos, especialmente de petróleo, próximos à Foz do Rio Amazonas poderiam gerar catástrofes ambientais incomensuráveis ao ecossistema (Foto: TV BrasilGov)Vazamento de fluídos reacende alerta de como possíveis vazamentos, especialmente de petróleo, próximos à Foz do Rio Amazonas poderiam gerar catástrofes ambientais incomensuráveis ao ecossistema (Foto: TV BrasilGov)

A atividade foi retomada em março, depois de análises e exigências dos órgãos reguladores, mas o episódio aumentou a pressão de ambientalistas e do Ministério Público Federal sobre o licenciamento.

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Nas últimas semanas, a Petrobras também enviou ao Ibama informações para tentar obter autorização para perfurar mais três poços no mesmo bloco FZA-M-59. A estatal argumenta que esses poços já fazem parte do escopo da campanha, enquanto o Ibama ainda avalia condicionantes e pedidos de revisão ligados à proteção da fauna oleada.