As relações de dominação e poder de uma nação sobre outra deixam marcas por séculos. Essas heranças não ficam só nos livros de história, também aparecem no dia a dia, inclusive no vocabulário.
A expressão “república das bananas” entra nesse contexto. O termo surgiu em uma obra literária para descrever países da América Central, como Honduras e Guatemala, e, com o passar do tempo, ganhou novos significados, alguns com cunho discriminatório.
Surgimento da “república das bananas”
A história da criação da frase remete ao fim do século XIX, quando o escritor norte-americano O. Henry foi para Honduras, em 1896. Lá, ele percebeu a influência política que a companhia bananeira estadunidense United Fruit Company (UFC) exercia na região.
Henry se inspirou nesse cenário para escrever o romance “Repolhos e reis” (1904), que retrata a fictícia república de Anchúria. O território é descrito como uma “pequena república de bananas marítima” submetida aos interesses de uma grande corporação estrangeira.
O diretor do portal salvadorenho El Faro, Carlos Dada, em entrevista à DW Brasil, afirma que, a partir de então, a frase passou a ser usada para se referir a Estados vistos como corruptos e fracassados.
Marcas de dominação colonial
As empresas bananeiras funcionavam como intermediárias para que os EUA perpetuassem seus interesses nas regiões onde estavam instaladas. Por meio delas, o governo de Washington apoiava governos aliados e destituía opositores e membros da resistência.
Um caso que exemplifica essa dinâmica ocorreu na Guatemala. O presidente eleito democraticamente, Jacobo Arbenz, sofreu um golpe de Estado, em 1954, apoiado pelos EUA após interferir em terras da UFC. Para substituí-lo, foi instaurado um regime ditatorial no país.
A ambiguidade do termo
Embora tenha surgido para falar de relações entre companhias e governos, com o tempo a expressão ganhou conotação pejorativa.
“Ele [o termo] passou a ser associado a outras características de algumas dessas nações, incluindo instabilidade, governo militar e/ou ditadura e, às vezes, corrupção”, explica a linguista e pesquisadora norte-americana Anne Curzan, em entrevista à DW Brasil.
Especialistas em linguística também advertem que usar a expressão como se pobreza, violência e corrupção fossem inerentes aos países dominados por interesses estadunidenses pode reforçar estereótipos e discriminação racial.



