A Lua está se afastando da Terra e os moradores começam a sentir o impacto

Entenda a ligação entre marés, perda de rotação da Terra e o afastamento lunar medido com precisão milimétrica

Apesar do afastamento contínuo, não há motivo para pânico. É improvável que a Lua abandone totalmente a órbita terrestre.

Apesar do afastamento contínuo, não há motivo para pânico. É improvável que a Lua abandone totalmente a órbita terrestre. | Wikimedia Commons

Com o passar do tempo, a Lua vem se afastando da Terra gradualmente. Pelo mesmo mecanismo que provoca esse afastamento, a rotação do nosso planeta desacelera aos poucos, e os dias ficam, lentamente, mais longos.

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Medições do Lunar Laser Ranging (LLR) indicam que a Lua continua se distanciando da Terra a uma taxa de cerca de 3,8 cm por ano.

Embora essa mudança seja imperceptível no dia a dia, ela ajuda a entender melhor o passado do planeta e a dinâmica do sistema Terra–Lua.

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O motivo da Lua se distanciar da Terra

O principal motivo para a Lua estar se distanciando da Terra é a interação gravitacional entre os dois corpos, manifestada principalmente por meio das marés oceânicas, em um processo conhecido como recessão lunar.

Esse fenômeno ocorre devido a uma troca de energia entre a rotação da Terra e a órbita da Lua. Confira os detalhes abaixo:

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  • Fricção Oceânica: a Terra gira sobre seu eixo mais rápido do que a Lua orbita o planeta. A fricção nas bacias oceânicas “arrasta” a água das marés levemente à frente da posição da Lua.

  • Troca de Energia: a Lua tenta “puxar de volta” esse volume de água. O processo dissipa energia e reduz, lentamente, a velocidade de rotação da Terra, fazendo o planeta girar mais devagar.

  • Momento Angular: parte dessa energia é transferida para a órbita da Lua na forma de momento angular, o que contribui para empurrá-la para uma órbita mais alta e distante.

Hoje, cientistas medem essa distância com precisão milimétrica disparando lasers em refletores deixados na Lua pelas missões Apollo.

Como o tempo mudou ao longo de bilhões de anos

A ideia de que um dia sempre teve 24 horas é relativamente recente na história da Terra. Estimativas indicam que, logo após a formação do planeta, há cerca de 4,5 bilhões de anos, um dia podia durar apenas 6 horas.

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Bilhões de anos atrás, o “dia médio” ainda tinha menos de 13 horas. Há 3,2 bilhões de anos, a Lua estava muito mais próxima (cerca de 270.000 km, contra 384.400 km hoje), e a Terra girava mais rápido.

Em um intervalo equivalente às 24 horas atuais, o planeta quase completaria duas rotações, o que ajuda a imaginar por que o ciclo de dia e noite era tão diferente.

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Mesmo agora, a tendência segue lenta: a duração do dia aumenta algo entre 1,09 e 1,78 milissegundos por século.

Fatores que influenciam a velocidade do afastamento

A velocidade com que a Lua se afasta não é constante e pode variar conforme a geografia da Terra e as condições dos oceanos.

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Atualmente, a configuração dos continentes favorece padrões de maré que, em algumas regiões, amplificam a dissipação de energia. Um exemplo frequentemente citado é o Atlântico Norte, onde certas condições podem intensificar o efeito das marés, acelerando o afastamento em comparação com longos períodos do passado.

Com as mudanças climáticas, também entram em cena fatores como o derretimento de geleiras e a redistribuição de massa no planeta. Isso pode influenciar a rotação da Terra e, portanto, o comprimento do dia. Ainda assim, o impacto futuro é complexo e depende de vários ajustes simultâneos no sistema.

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A Lua vai desaparecer?

Apesar do afastamento contínuo, não há motivo para pânico. É improvável que a Lua abandone totalmente a órbita terrestre.

Cientistas também apontam que, em cerca de 5 bilhões de anos, o Sol deve se expandir e se tornar uma gigante vermelha, o que pode alterar drasticamente o destino da Terra e da Lua muito antes de qualquer “separação definitiva” acontecer.