Quem nunca colocou o fone de ouvido no volume máximo para fazer alguma tarefa? Muitas pessoas acreditam que a música é uma aliada na concentração durante atividades importantes, como treinos, trabalho e estudo.
Porém, quando se trata do aprendizado, há indícios de que esse recurso sonoro pode não ser eficaz e até atrapalhar. Esse assunto é tema de diversas pesquisas da psicologia, que buscam determinar como as canções interferem no funcionamento do cérebro.
A resposta por trás dessa questão está relacionada aos mecanismos de memorização da nossa cabeça e à nossa capacidade de nos adaptar e dividir o foco.
Como a música interfere na concentração
É comum utilizar a música como um simples pano de fundo para fazer os deveres, mas é nessa situação que ela costuma atrapalhar a concentração.
Quando a pessoa estuda ouvindo algo, o cérebro não “desliga” a canção só porque a atenção principal está em um livro, por exemplo.
Ele continua captando ritmo, voz, mudanças sonoras e, principalmente, palavras. O problema aparece quando essas palavras entram no mesmo sistema mental usado para ler, entender e memorizar.
Músicas instrumentais, como o Lo-Fi, gênero conhecido por auxiliar na concentração, podem interferir menos por não possuírem letra. Entretanto, mudanças bruscas de ritmo também podem impactar o mesmo mecanismo e causar distração.
Nem todo cérebro reage da mesma forma
A música não atrapalha todo mundo da mesma forma. Para algumas pessoas, uma trilha baixa e repetitiva ajuda a entrar no ritmo, reduz o incômodo com barulhos ao redor e torna o estudo menos cansativo. Para outras, qualquer som já é suficiente para quebrar a concentração.
Parte dessa diferença vem do hábito. Quem costuma estudar com música pode aprender a empurrar aquele som para o fundo, como se ele virasse parte do ambiente.
Já quem normalmente precisa de silêncio tende a perceber mais cada palavra, batida ou mudança na canção.
O uso inteligente da música
Apesar disso, a música ainda pode ajudar nos estudos em determinadas situações. Essa interferência não mexe diretamente com o aprendizado, mas influencia na construção de um ambiente mais propício para a concentração.
Isso é possível porque o som é capaz de reduzir a sensação de tédio, melhorar o humor, diminuir a ansiedade, abafar ruídos e dar ritmo, sobretudo em tarefas que envolvem repetições mecânicas, como a resolução de exercícios.
