Aumento nas aparições de ‘peixes do juízo final’ alarma população sobre possível desastre natural

Registro raro de dois peixes-remo em Cabo San Lucas voltou a alimentar o mito sobre terremotos e tsunamis; veja vídeo

Apesar de menos de trinta registros terem sido feitos no século, seis deles foram feitos apenas no ano passado e 2026 já possui dois novos avistamentos

Apesar de menos de trinta registros terem sido feitos no século, seis deles foram feitos apenas no ano passado e 2026 já possui dois novos avistamentos | Reprodução: Monica Pittenger / Instagram

Um espécime de peixe-remo, também conhecido como peixe do fim do mundo ou peixe do juízo final, foi encontrado na costa mexicana por banhistas. A rara aparição chamou atenção, pois ela é considerada um mau agouro.

O registro foi feito em Cabo San Lucas, México, no final de fevereiro. Lendas populares, especialmente no Japão, correlacionam a aparição desta espécie e de outros animais das profundezas abissais com desastres naturais.

Uma espécie de raras aparições, até agora

Os peixes-remo (Regalecus glesne) são nativos de águas profundas, cerca de 200 m a um quilômetro de profundidade, e suas aparições são raríssimas. Os registros são geralmente de peixes encalhados ou cadáveres que chegaram à costa.

O primeiro registro de um animal vivo dentro da água foi feito apenas em 2001 e em seu habitat natural em 2010, realizado também no Golfo Mexicano. Desde 1901, menos de trinta espécimes foram documentados.

Porém, os últimos anos tiveram aumentos expressivos nos registros; apenas em 2025 foram seis aparições que se estendiam desde a Índia até a Austrália. O ano de 2026 já registrou duas aparições, o que chamou atenção pela mítica ao redor do animal.

Um lendário arauto do desastre?

Na antiga religião japonesa, o xintoísmo, o peixe-remo é conhecido como ryūgū no tsukai (Mensageiro do Palácio do Deus do Mar) e é um servo do deus Susanoo, o deus japonês dos mares revoltosos. O peixe é o responsável por levar aos homens os anúncios de desastres como tsunamis e terremotos.

Essa lenda foi reforçada quando o geofísico Kiyoshi Wadatsumi comentou sobre como a aparição de peixes-remos e outras espécies abissais poderia estar correlacionada com desastres naturais, pois eles seriam sensíveis aos abalos sísmicos submarinos.

Porém, assim como o urutau, a ave que teoricamente pressente a morte, as lendas acerca do “peixe do juízo final” também são apenas lendas. Com demonstrado por um estudo japonês de 2019.

Correlação espúria

A pesquisa movida por Yoshiaki Orihara e sua equipe tinha como objetivo justamente avaliar a correlação entre a aparição de animais abissais e desastres naturais marinhos.

Para avaliar a correlação, eles levantaram um banco de dados sobre as aparições dessas espécies marinhas com a atividade sísmica no arquipélago japonês. O resultado foi uma falta de relação espaciotemporal consistente.

Dessa forma, os autores concluem que esse folclore não tem valor prático como ferramenta de previsão ou mitigação de desastres, sendo melhor explicado como uma superstição gerada por correlação ilusória (tendência humana de ligar dois eventos raros que ocasionalmente coincidem).

Apesar disso, existem correlações entre vida marinha e desastres naturais, mas geralmente a posteriori. Por exemplo, migrações em massa de habitats devastados ou devido à mudança de oferta alimentar após furacões ou maremotos.