Caos em Roma: turista salta em monumento histórico e multa de 500 euros gera revolta

Episódio com neozelandês expõe crise do turismo predatório na Itália e impulsiona debate sobre novas taxas e restrições de acesso a cartões-postais

O homem, que não teve a identidade revelada pelas autoridades italianas, mergulhou completamente vestido na bacia do século XVIII. 

O homem, que não teve a identidade revelada pelas autoridades italianas, mergulhou completamente vestido na bacia do século XVIII.  | Pexels e Reprodução/X

A cena repete-se com uma frequência alarmante nos principais cartões-postais do planeta. Em busca de um instante de euforia, de uma foto perfeita ou de alguns segundos de atenção nas redes sociais, viajantes ignoram séculos de história. 

O alvo mais recente desse comportamento inacreditável foi a icônica Fontana di Trevi, em Roma, onde a busca pelo “clique perfeito” cruzou a linha do bom senso e transformou um monumento barroco em piscina particular.

Recentemente, um turista neozelandês de 30 anos saltou de cabeça nas águas da fonte, sob os olhares indignados de uma multidão de moradores e viajantes conscientes.

O episódio reacende um debate urgente e global: as punições atuais são realmente severas o bastante para proteger o patrimônio mundial ou viraram apenas o “preço a pagar” por uma noite de fama na internet?

O preço de um mergulho (que pode custar barato demais)

O homem, que não teve a identidade revelada pelas autoridades italianas, mergulhou completamente vestido na bacia do século XVIII. 

Mesmo sob os gritos e ordens da polícia para que saísse imediatamente do local, ele continuou a nadar e chegou a arriscar braçadas de nado de costas antes de ser finalmente retirado e detido.

A inconsequência custou uma multa de 500 euros (cerca de R$ 2.800 na cotação atual) e a proibição formal de retornar ao local. 

Para moradores, guias de turismo e historiadores, a penalidade é considerada irrisória diante da magnitude e da fragilidade do monumento, imortalizado no cinema por Federico Fellini no clássico La Dolce Vita.

Nas redes sociais, a indignação escalou rapidamente. Internautas do mundo todo criticaram a leveza da punição, sugerindo que multas dez vezes maiores, trabalho comunitário local ou até penas de prisão seriam os únicos caminhos eficazes para desencorajar o vandalismo de maneira definitiva.

Um padrão cultural preocupante nas redes sociais

Infelizmente, o caso está longe de ser um fato isolado. A Fontana di Trevi tem se tornado o epicentro do chamado “turismo predatório”, um fenômeno alimentado pela espetacularização das experiências de viagem.

Meses antes desse episódio, outro cidadão da mesma nacionalidade já havia sido multado exatamente pelo mesmo motivo.

O descontrole na região vai além dos mergulhos proibidos. Confrontos físicos entre grupos de turistas disputando o melhor ângulo para fotos já foram registrados.

A confusão generalizada na praça frequentemente força pedestres e clientes a buscarem abrigo nos comércios locais, prejudicando a vida cotidiana da cidade.

O contra-ataque de Roma: Taxas e restrições

Para tentar conter o fluxo desordenado, garantir a segurança e financiar a restauração constante dos danos causados pelo público, a prefeitura de Roma implementou uma taxa de entrada de 2 euros para acessar os degraus da área da fonte.

Os números mostram o tamanho do desafio: em apenas três meses, a medida arrecadou mais de 1,5 milhão de dólares. 

Contudo, as lideranças locais defendem tolerância zero. Alessandro Onorato, assessor de turismo de Roma, provocou publicamente ao sugerir que, se a Fontana di Trevi estivesse em Nova York, o ingresso cobrado para controle de público poderia chegar facilmente a 100 dólares.