China plantou 66 bilhões de árvores no deserto, e agora ele absorve mais CO2 do que emite

Estudo aponta que áreas ao redor do deserto de Taklamakan passaram a absorver mais CO2 após décadas de reflorestamento

Pesquisa mostra que programa chinês de plantio de árvores aumentou a captura de carbono em região desértica

Pesquisa mostra que programa chinês de plantio de árvores aumentou a captura de carbono em região desértica | (Foto: Pravit/ Wikimedia Commons)

Desertos costumam ser vistos como territórios inóspitos, marcados por calor intenso e escassez de vida, mas acontece que novas pesquisas indicam que essas regiões podem desempenhar um papel estratégico no enfrentamento das mudanças climáticas.

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Um estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) e repercutido pelo Live Science analisou como áreas desérticas podem contribuir para a absorção de dióxido de carbono (CO2).

O foco da pesquisa foi o impacto das políticas ambientais chinesas no deserto de Taklamakan.

A estratégia da Grande Muralha Verde

Localizado no noroeste da China, o Taklamakan é cercado por cadeias de montanhas que dificultam a chegada de umidade, formando um vasto mar de areia em constante movimento.

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Nas últimas décadas, o governo chinês vem implementando um amplo programa de reflorestamento na região, conhecido como Programa Três Norte, também chamado de Grande Muralha Verde.

A iniciativa começou em 1978 e tem como objetivo reduzir o avanço da desertificação e minimizar tempestades de areia por meio do plantio de árvores nas áreas periféricas do deserto.

Desde então, estima-se que mais de 66 bilhões de árvores tenham sido plantadas como parte do projeto.

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O debate sobre os efeitos dos impactos ambientais extremos e seus reflexos na sociedade também tem ganhado espaço em pesquisas científicas recentes.

O que os dados revelam

Os pesquisadores avaliaram cerca de 25 anos de registros sobre a vegetação ao redor do deserto.

A análise apontou que, após décadas de reflorestamento, a área passou a absorver mais CO2 do que emite, funcionando como um sumidouro de carbono.

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Isso significa que, além de naturalmente apresentarem baixos níveis de emissão, determinadas regiões desérticas podem ajudar a retirar gás carbônico da atmosfera quando recebem cobertura vegetal adequada.

Estudos sobre soluções ambientais adotadas em diferentes países reforçam a importância de diversificar estratégias no combate às mudanças climáticas.

Limites e desafios

Apesar dos resultados positivos, os especialistas destacam que a capacidade de captura ainda é inferior a tecnologias como a Captura e Armazenamento de Carbono (CCS) ou outras estratégias de mitigação climática.

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Ainda assim, ampliar o leque de soluções é visto como um avanço importante.

Por outro lado, o estudo não encontrou evidências conclusivas de que o programa tenha atingido plenamente seu objetivo original: conter a expansão do deserto e reduzir tempestades de areia.

Mesmo assim, a pesquisa abre espaço para novas discussões sobre o potencial ambiental de regiões antes consideradas improdutivas no combate ao aquecimento global.