‘Cidade de gelo’ da China desafia a engenharia e atrai milhões de turistas todos os anos

Com investimentos de R$ 2,6 bilhões, o festival transforma blocos retirados de rio em prédios monumentais que derretem completamente a cada primavera

Cidade de Gelo em Harbin, na China

O frio extremo da região garante a sobrevivência da cidade de gelo por cerca de dois meses, geralmente entre o final de dezembro e fevereiro/Lin Zhaoha/Unsplash

A China surpreende o mundo anualmente com sua capacidade de execução e escala e agora conta com um projeto ambicioso de uma megaestação que se assemelha a uma “cidade de gelo” em Harbin.

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Localizado na província de Heilongjiang, no extremo norte do país, o projeto ocupa impressionantes 1,2 milhão de metros quadrados.

Este espaço, equivalente a 168 campos de futebol, abriga o maior festival de gelo e neve do planeta, reunindo esculturas gigantescas e edifícios inteiros feitos de material congelado.

Bilhões em investimento na ‘cidade de gelo’ e retornos gigantescos

Para viabilizar o “Mundo de Gelo e Neve”, as autoridades locais investem aproximadamente US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões) a cada edição.

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Embora o valor pareça alto para uma estrutura temporária, os números de retorno confirmam o sucesso do negócio.

Durante a temporada de inverno de 2024 a 2025, por exemplo, a cidade registrou mais de 90 milhões de visitas, gerando uma receita turística de US$ 2,6 bilhões.

Além disso, o calendário do evento coincide estrategicamente com o Ano Novo Chinês. Esse período representa o principal feriado do país e impulsiona o deslocamento de milhões de cidadãos que buscam as atrações congelantes de Harbin.

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Construção de uma ‘cidade de gelo’ em tempo recorde

A logística do festival desafia a lógica da engenharia moderna. Milhares de trabalhadores retiram cerca de 400 mil blocos de gelo do Rio Songhua para servir de matéria-prima.

Surpreendentemente, as equipes finalizam a montagem de toda a estrutura em menos de um mês; a edição de 2025/2026, por exemplo, exigiu apenas 22 dias de construção.

Os operários e escultores não criam apenas estátuas, mas sim prédios em escala real, pontes e torres translúcidas.

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Enquanto o sol se põe, luzes de LED e neon instaladas dentro das peças garantem um espetáculo visual multicolorido aos visitantes.

Na Suécia há uma experiência semelhante ao menos para a hora de dormir. O IceHotel é um hotel de vidro, uma obra de arte viva que desafia a permanência.

Tradição e entretenimento no frio extremo

A história das famosas luzes de Harbin remete aos antigos pescadores locais. Antigamente, esses trabalhadores utilizavam lanternas de gelo para se localizarem na escuridão do Rio Songhua.

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Com o tempo, a prática evoluiu para uma forma de arte que hoje atrai competidores de diversas partes do mundo.

Atualmente, o público desfruta de uma experiência completa de lazer. O complexo oferece desde rodas-gigantes e pistas de patinação até atividades exóticas como a pesca e a natação no gelo.

Para suportar o passeio, os turistas enfrentam temperaturas rigorosas que atingem facilmente os -30 °C.

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A natureza efêmera da arquitetura de gelo

O frio extremo da região garante a sobrevivência da cidade de gelo por cerca de dois meses, geralmente entre o final de dezembro e fevereiro.

No entanto, a chegada da primavera impõe um limite inevitável ao projeto. Assim que a temperatura sobe, toda a megaestrutura derrete, o que obriga os engenheiros a planejar e reconstruir tudo do zero no inverno seguinte.