Estudo revela: Presença de cocaína em rios pode levar salmões à extinção

Estudo aponta que resíduos da droga em lagos aumentam riscos de predação e exaustão em peixes

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Salmão | Pexels

Pesquisadores da Universidade Sueca de Ciências Agrícolas identificaram que vestígios de cocaína em ecossistemas aquáticos estão alterando severamente o comportamento de salmões do Atlântico juvenis.

O estudo revela que a exposição à droga e ao seu principal metabólito, a benzoilecgonina, faz com que os peixes nadem distâncias significativamente maiores, aumentando a dispersão e a vulnerabilidade no habitat.

Impacto na movimentação dos peixes

Em testes realizados no Lago Vättern, na Suécia, cientistas observaram que os peixes expostos à cocaína nadaram cinco quilômetros a mais que o grupo de controle nas semanas finais da análise de campo.

O impacto foi ainda mais profundo com a benzoilecgonina. Os peixes sob efeito desse metabólito nadaram cerca de 14 quilômetros a mais, o dobro da distância percorrida por outros que não tiveram contato com a substância.

De acordo com o líder do estudo, essa movimentação excessiva sugere que os animais podem estar gastando energia crítica, o que prejudica sua condição física e o desenvolvimento de longo prazo.

Riscos de predação e sobrevivência

A alteração no padrão de nado força os salmões a se aventurarem por áreas mais amplas e abertas. Isso aumenta a exposição a predadores naturais, como os lúcios, que habitam as águas do segundo maior lago sueco.

Para compensar o alto gasto energético provocado pela hiperatividade, os peixes são obrigados a buscar alimento com maior frequência. Esse comportamento os torna alvos fáceis em zonas de risco biológico evidente.

O estudo ressalta que o impacto das substâncias pode gerar um desequilíbrio populacional. Caso os peixes não consigam compensar o estresse metabólico, as taxas de mortalidade juvenil tendem a sofrer elevação drástica.

Poluição farmacêutica e água residual

A presença de drogas ilícitas e medicamentos em rios é um risco crescente para a biodiversidade global. Relatórios anteriores já indicavam trutas viciadas em metanfetamina e peixes sem medo de predadores por antidepressivos.

A principal via de entrada desses contaminantes no meio ambiente é o esgoto bruto. Transbordamentos durante tempestades e falhas em conexões domésticas levam resíduos diretamente aos cursos d’água sem o devido tratamento.

Lacunas na avaliação de risco

A pesquisa publicada na revista Current Biology alerta que as avaliações de risco ambiental costumam ignorar os metabólitos. Como a benzoilecgonina é mais persistente que a cocaína, o perigo real é subestimado.

A falta de dados sobre as consequências de longo prazo preocupa a comunidade científica. O cenário exige que empresas farmacêuticas desenvolvam medicamentos mais verdes, que se decomponham facilmente na natureza.

O caso dos salmões reforça a necessidade de monitoramento contínuo. A interação entre poluentes químicos e comportamento animal define a capacidade de resiliência das espécies diante da intervenção humana nos rios.