Como um fotógrafo de 22 anos está “comprando” o mundo com trocas, e não com dinheiro

Com foco em zonas de crise e causas humanitárias, fotógrafo pretende ser o português mais jovem a rodar a Terra

Mochila nas costas, vida nômade: viagens longas costumam exigir rotina, disciplina e decisões diárias sobre custo e segurança

Mochila nas costas, vida nômade: viagens longas costumam exigir rotina, disciplina e decisões diárias sobre custo e segurança | Pexels

Você teria coragem de abandonar a rotina para tentar visitar todos os países do planeta em poucos anos? António Loureiro, um jovem de Espinho, não apenas teve essa coragem como já está com o pé na estrada. Com 22 anos de idade, ele busca concluir o périplo mundial antes de seu vigésimo quinto aniversário.

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O projeto começou em 2024 e o jovem já contabiliza passagens por 30 países diferentes em dois continentes. Ele foge dos roteiros turísticos tradicionais e busca se colocar frente à frente com a vida cotidiana das pessoas. Essa vontade de entender o mundo de forma direta é o combustível que alimenta sua jornada diária.

Economia e trocas inteligentes

A viabilidade financeira do projeto depende de um modelo de viagem baseado na troca de serviços por hospedagem. António utiliza plataformas digitais para encontrar oportunidades de voluntariado que ofereçam teto e refeições em troca de trabalho. Sua afinidade com a vida no campo permite que ele ajude em quintas e no trato com animais diversos.

Um exemplo marcante foi sua passagem por um rancho de cavalos na Croácia, onde viveu a essência da zona rural. Além disso, ele conseguiu economizar ao máximo em destinos europeus que costumam ser bastante caros para o turista comum. Essas experiências práticas ensinam ao jovem como sobreviver em diferentes contextos culturais gastando quase nada no dia a dia.

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Planejamento financeiro e social

Apesar do espírito aventureiro, António encara as dificuldades do percurso como lições valiosas para sua formação pessoal e profissional. Ele compartilha histórias reais, como o susto de se perder no Atacama ou o desconforto de dormir na rua. Para ele, o aprendizado real surge justamente quando as coisas saem do planejamento inicial e exigem improviso.

Além disso, o fotógrafo faz uma análise crítica sobre as facilidades que possui para cruzar as fronteiras globais. Ele reconhece que o passaporte português é uma ferramenta poderosa que muitos cidadãos do mundo não possuem. Ter essa clareza ajuda António a manter uma visão realista sobre a desigualdade social presente em cada nova fronteira.

Documentando o mundo real

O dinheiro para as passagens e custos básicos vem da fotografia, atividade que ele desempenha com dedicação em Portugal. Ele gerencia seus ganhos de forma estratégica para aproveitar a valorização da moeda europeia em mercados menos desenvolvidos. Com isso, o trabalho de um mês pode sustentar sua vida por um longo período em outras regiões.

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O grande objetivo é usar essa bagagem para atuar como fotojornalista em áreas de emergência humanitária e conflitos sociais. Ele pretende visitar países como Nigéria e China para registrar o que as câmeras tradicionais muitas vezes ignoram. Até 2028, ele espera ter concluído sua meta e se tornado o português mais jovem a percorrer todo o globo.