O interior de São Paulo tem cidades que se destacam nas mais variadas áreas, seja em tecnologia, turismo rural ou foco em um setor de produção.
Há desde a “Califórnia brasileira” às capitais da uva, do figo, da porcelana e assim por diante. Um destes municípios, sonhou e foi, por um bom tempo, a Hollywood Brasileira.
Para isso, ergueu um grande polo cinematográfico ao custo de quase meio bilhão de reais, com estúdios, escritórios e escola de cinema. Seus editais de patrocínio para filmes e sua estrutura atraíram dezenas de produções.
Pelo tapete vermelho de seu festival de cinema, inspirado em Cannes, desfilaram estrelas como Fernanda Montenegro, Selton Mello, Tony Ramos e os americanos Danny Glover (Máquina Mortífera) e Michael Madsen (Kill Bill).
Início de tudo
A rica cidade de Paulínia é, desde os anos 1970, casa da Replan, maior refinaria da Petrobrás. O setor estava em alta, principalmente após a descoberta do pré-sal.
Foi quando o prefeito da época, Edson Moura, decidiu colocar Paulínia no mapa cultural e investiu pesado no projeto de criar a Hollywood Brasileira, sob justificativa de “diversificar” as fontes de receita do município.
O complexo chegou a ter seis estúdios, cidade cenográfica, escola de cinema e o grandioso teatro municipal, pensando como palco para o festival de cinema, o Paulínia Film Festival, que teve sete edições.
Com alta arrecadação, a prefeitura criou editais de patrocínios para produções nacionais e internacionais, com exigência de que fosse utilizada a estrutura do município. Só em 2014, o edital previa R$ 8,98 milhões (R$ 16,5 milhões em valores corrigidos).
Mais de 40 filmes foram produzidos no polo cinematográfico de Paulínia. Entre eles, sucessos nacionais, como Salve Geral (2009), Chico Xavier (2010), O Palhaço (2011) e Bruna Surfistinha (2011).
Grana alta
O dinheiro da prefeitura também ajudou a alavancar o Paulínia Film Festival, atraindo astros nacionais e internacionais.
Isso porque o festival, assim como o de Cannes, Berlim e tantos outros, premiação com troféu e dinheiro os vencedores.
Em 2014, o prêmio principal – Troféu Menina de Ouro – ficou com “A História da Eternidade”, de Camilo Cavalcante. O longo levou cinco prêmios, somando R$ 410 mil (R$ 731 em valores atuais).
Fernanda Montenegro foi convidada para ser a mestra de cerimônia da primeira edição do festival. Esteve em outras edições. Selton Mello também deu as caras em mais de uma edição e venceu o prêmio de melhor direção em 2011, por O Palhaço.
Fim do sonho
O projeto da Hollywood brasileira durou bem menos do que o esperado. O município entrou em grave crítica política, marcada por muitas cassações. São 18 prefeitos desde 2009.
Só em 2014, Edson Moura Júnior (PMDB) foi prefeito em quatro períodos diferentes, enquanto o presidente da Câmara, Marcos Roberto Bolonhezi (PP), assumiu a prefeitura três vezes.
O primeiro cancelamento do festival ocorreu em 2012, na gestão do prefeito José Pavan Júnior. (PSB). A festa só voltou em 2014 e foi cancelada no ano seguinte, sob alegação de crise financeira e contratos irregulares.
Com o fim dos investimentos, Paulínia deixou de ser um polo cinematográfico e boa parte da estrutura ficou abandonada.
