Por trás de uma diretora executiva da Talls Solutions, consultoria do Grupo FG, existiu uma infância repleta de dificuldades. A história da engenheira Stéphane Domeneghini começa no interior de Rondônia, na cidade de Cerejeiras, onde viveu parte de sua vida aos sons de um gerador que funcionava apenas duas horas por dia.
Sem a presença de luz elétrica constante, o tempo era cronometrado para os banhos e as tarefas essenciais da casa.
Logo se passaram os anos, e a vida reservou um lugar muito alto para a Stéphane. Ela se tornou especialista em um nicho ainda restrito no País: a engenharia de prédios superaltos.
No currículo, ela carrega a viabilização de marcos como o One Tower, o residencial mais alto da América Latina, e o ambicioso Senna Tower, projetado para ser o maior edifício do Brasil.
O caminho da disciplina
Filha de um mecânico e neta de migrantes, Stéphane cresceu em um ambiente de poucos recursos, mas de forte incentivo acadêmico.
Um episódio na quinta série definiu seu perfil obstinado: após tirar uma nota baixa em matemática por ter faltado às aulas, ela prometeu a si mesma nunca mais tirar menos que 10 na disciplina até o fim do colégio — e cumpriu.
Antes de se encontrar na engenharia, ela chegou a cursar Psicologia e Engenharia Elétrica. Foi na construção civil, no entanto, que achou o propósito que buscava: a chance de criar algo que atravesse o tempo, comparável às marcas deixadas por civilizações antigas.
Desafios técnicos e superação no canteiro
A carreira de Stéphane deslanchou em Balneário Camboriú, Santa Catarina, cidade que se tornou o laboratório dos arranha-céus brasileiros.
Entre seus projetos mais complexos está o Epic Tower, que exigiu estudos profundos para viabilizar uma fachada curva de vidro e o uso inédito de drywall como vedação definitiva na época.
Além dos desafios técnicos, a engenheira precisou se firmar em um setor predominantemente masculino. Sua estratégia sempre foi o domínio técnico absoluto, ao todo, ela já participou de cerca de 200 empreendimentos, sendo mais de 50 com altura superior a 150 metros.
O medo de altura e o legado
Um detalhe curioso marca a trajetória da profissional: Stéphane tem medo de altura. O desconforto surge até em degraus baixos de uma escada, mas desaparece quando ela coloca o capacete de obra.
A engenheira já subiu a mais de 200 metros para inspecionar estruturas, movida pelo foco nas soluções técnicas.
Para ela, o trabalho vai além do concreto e do aço. O Senna Tower, seu projeto mais simbólico, representa o desejo de edificar monumentos que permaneçam para as próximas gerações. Mãe da pequena Heidi, de seis anos, Stéphane enxerga em cada torre uma mensagem para o futuro.
“Tudo o que faço ganha sentido quando penso no dia em que minha filha verá tudo isso pronto”, afirma em entrevista à Exame, reforçando que construir um legado é o que move sua história.


