Escola federal na periferia de SP bate todas as públicas da cidade no Enem 2024

No coração de São Miguel Paulista, o IFSP atingiu média de 619,9 no Enem 2024 e desbancou escolas de regiões mais valorizadas de São Paulo. Entenda por que o resultado surpreende

Com média de 619,9 no Enem 2024, unidade do IFSP em São Miguel Paulista se destaca entre as escolas públicas da cidade de São Paulo

Com média de 619,9 no Enem 2024, unidade do IFSP em São Miguel Paulista se destaca entre as escolas públicas da cidade de São Paulo | Montagem/Gazeta SP

No bairro de São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo, uma escola pública se destacou no Enem. No Instituto Federal, os alunos atingiram média de 619,9 em 2024, a maior da cidade entre as unidades da rede pública.

Continua após a publicidade

Resumo da matéria:

A análise é feita pela Evolucional com base em microdados do MEC e pode ser consultada online. O resultado coloca a escola no centro de uma discussão importante sobre acesso e qualidade de ensino na periferia paulistana.

O dado também ajuda a iluminar um trabalho que muitas vezes acontece sem alarde, dentro da sala de aula. Esse tipo de ranking ajuda a identificar experiências que merecem atenção por quem vive longe das áreas centrais.

Continua após a publicidade

O que esse resultado mostra

Quando uma escola pública da periferia aparece no topo, o dado chama atenção por ser acadêmico e simbólico. Na prática, a média de 619,9 mostra que os estudantes conseguiram um desempenho competitivo em nível nacional.

A prova é a principal porta de entrada para universidades. Em entrevista exclusiva à Gazeta, Ismael Rocha, diretor do Iteduc, diz que o diferencial é o aprendizado significativo: “Dar sentido ao que aprendem é o caminho”.

Para o especialista, entender o sentido do estudo é o que garante a absorção do conhecimento. Esse tipo de resultado muda a forma de olhar para a escola do bairro e ajuda a identificar métodos que realmente funcionam.

Continua após a publicidade

Por que o IFSP chama atenção

O IFSP já carrega tradição no ensino federal, mas a unidade de São Miguel cresce em uma área com carências históricas de infraestrutura. Ismael alerta para o abismo social: “Nós temos uma indústria 5.0 e uma educação 2.0”.

Para o diretor, resultados assim combatem o risco de termos “uma elite com informação e uma massa alijada do processo”. A unidade integra o Instituto Federal e oferece cursos de Formação Inicial, presenciais e a distância.

O campus também encaminhou curso preparatório para o Enem e vestibulares. Isso ajuda a entender por que a escola passou a ser observada. Não se trata apenas de nota, mas de um ambiente onde o projeto de vida floresce.

Continua após a publicidade
  • Desempenho: a média alcançada em 2024 colocou a unidade em evidência entre as públicas da capital.
  • Território: o resultado vem de uma escola instalada em região distante do eixo valorizado.
  • Impacto: a boa colocação influencia a procura por matrícula e a autoestima de todos os alunos.

O peso para a zona leste

Na periferia, bons resultados escolares circulam no bairro e criam referências positivas. Ismael Rocha reforça à Gazeta que o investimento público evita que a distância social aumente: “A educação é o único caminho”.

Em uma capital marcada por contrastes, ver São Miguel Paulista ganhar destaque tem valor concreto. O resultado mostra que talento e disciplina não são exclusividade de CEP valorizado ou de regiões ricas da cidade.

O Enem ainda é visto como chance real de mudar de vida via Sisu ou Prouni. Quando uma escola pública vai bem, o efeito alcança irmãos, vizinhos e estudantes que antes não se enxergavam ocupando uma vaga na universidade.

Continua após a publicidade

Mais do que um ranking

No caso do IFSP, o dado reforça a importância de acompanhar o trabalho interno da unidade. Quando o ensino público entrega desempenho, vira referência regional e pode influenciar a rotina de estudos de toda a comunidade.

Ismael Rocha resume em sua fala exclusiva à Gazeta: “Melhorar os espaços públicos traz melhoria na qualidade do que é entregue”. Vale agora perguntar o que pode ser aprendido e como ampliar o sucesso para toda a rede pública.

Autoria: Reportagem de Marcos Ferreira, da Gazeta de S.Paulo.