A patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, tem vencimento previsto no Brasil em 20 de março de 2026 (20/3/2026). A mudança pode abrir espaço para novos fabricantes e mexer com preços, acesso e fiscalização.
O tema voltou ao centro do debate porque o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou a prorrogação do prazo pedida pela detentora da patente. A decisão foi tomada nesta quinta (12).
Isso não significa “Ozempic genérico” no dia seguinte. Para chegar às farmácias, qualquer versão precisa cumprir exigências da Anvisa. Porém, o mercado já está se preparando para o fim da patente.
O que o fim da patente significa
Patente é um direito de exclusividade por tempo determinado. No caso de medicamentos, ela pode afetar quem fabrica, quanto custa e o ritmo de inovação. Quando acaba, concorrentes ganham a chance de pedir registro e vender suas próprias versões.
No Brasil, o STJ avaliou que a demora do INPI não justificava estender a vigência. Em nota sobre o caso, o tribunal apontou que “o prolongamento do prazo de vigência das patentes prejudicaria o acesso da população aos medicamentos”.
Mudança nos preços
O efeito mais esperado é a ampliação da oferta, pois com o aumento da oferta haveria um alívio na demanda que tem feito os preços do medicamento aumentarem drasticamente. Pois, com o fim da patente, novas empresas poderão criar suas próprias versões, aumentando a concorrência e diminuindo o preço.
Porém, o preço não cai só porque a patente venceu. Ele cai quando há concorrência real, produção em escala e logística estável. E, no caso de injetáveis, a caneta e a cadeia de armazenamento também pesam no custo final.
Mesmo antes do fim da exclusividade, o consumidor já viu ajustes no balcão. Em 2025, a Novo Nordisk anunciou redução de preços do Ozempic e do Wegovy no Brasil, com valores diferentes para loja física e online. Uma medida que pode ter sido tomada visando o fim da patente no horizonte.
Quando concorrentes entrarem, pode haver uma queda gradual, não um tombo imediato. O mercado costuma testar preços, observar demanda e ampliar produção aos poucos. Se a demanda da população continuar alta, mesmo com valores elevados, a média de preços não deve se alterar muito.
Riscos na corrida por versões baratas
Em toda “corrida” por medicamento disputado, cresce a circulação de promessas fáceis. O risco maior é comprar produto sem origem clara, fora de farmácia regular ou sem orientação médica. Para o consumidor, algumas atitudes simples ajudam a reduzir risco:
- Confira se o produto tem registro e fabricante identificável, conforme a embalagem e a nota fiscal.
- Evite ofertas em redes sociais, aplicativos de mensagens e vendedores sem CNPJ.
- Não compartilhe canetas e não reaproveite agulhas.
- Mantenha o armazenamento como a bula orienta, principalmente a temperatura.
Efeitos adversos gastrointestinais, como náusea e diarreia, são comuns nessa classe. Em alguns casos, o médico precisa ajustar a dose, rever a dieta e checar contraindicações.
Impactos na saúde pública
Atualmente, para quem tem diabetes tipo 2, o medicamento se tornou muito mais inacessível. Devido ao aumento da demanda por um público que visa apenas emagrecer, esses pacientes têm enfrentado falta de estoque, preço alto e compras interrompidas.
Com a introdução de concorrência e a ampliação da oferta, esse público terá uma oportunidade de retomar o acesso à medicação que se estreitou tanto nos últimos tempos.
Ao contrário dos diabéticos que dependem do medicamento para sobrevivência, o público que o utiliza para emagrecer poderia optar por outras opções. Existem atualmente diversos substitutos, como o Ozempic natural, além do bom e velho treino com dieta: o básico que funciona.


