Durante décadas, a Ilha Floreana, no arquipélago das Ilhas Galápagos, cresceu sem a presença de um de seus animais mais importantes.
Agora, quase 150 anos depois do desaparecimento das tartarugas-gigantes, elas voltaram a circular pelo solo do arquipélago.
A reintrodução começou em fevereiro de 2026, com a soltura de 158 juvenis. Todos têm entre 8 e 13 anos, passaram por quarentena e receberam chip de identificação antes da transferência. A meta é levar 700 animais da espécie à ilha.
Papel ecológico na ilha
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, as tartarugas influenciam diretamente a dinâmica natural de Floreana. Ao se deslocarem, espalham sementes e favorecem a regeneração da vegetação nativa.
O arquipélago das Ilhas Galápagos fica a cerca de mil quilômetros da costa do Equador e é reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco.
A região também é conhecida pela variedade de espécies que vivem em isolamento há séculos.
Reconstrução genética
Criadas em uma instalação do Parque Nacional de Galápagos, as tartarugas selecionadas carregam entre 40% e 80% do material genético da espécie original, a Chelonoidis niger, que habitava Floreana até o século 19.
O desaparecimento ocorreu após a chegada de mamíferos invasores, além da caça de baleias, incêndios e exploração humana na ilha.
A aposta do governo é que, ao longo das próximas gerações, o repovoamento ajude a recuperar gradualmente o perfil genético associado à população histórica de Floreana.
Segundo um levantamento da National Geographic, o arquipélago abriga hoje 13 espécies vivas de tartarugas em outras ilhas. Adultos podem ultrapassar 250 quilos, e o exemplar mais longevo já registrado viveu até 175 anos.
Processo de adaptação
A soltura foi feita no período de chuvas, fase considerada estratégica para a adaptação dos juvenis. Com mais alimento disponível, as chances de sobrevivência aumentam nos primeiros meses.
Em Floreana, as tartarugas voltam a ocupar um território onde vivem poucos moradores e diversas espécies nativas. Apesar disso, a presença de animais invasores ainda impõe obstáculos ao trabalho de conservação.
Para quem acompanha o projeto de perto, o momento é simbólico.
Moradora da ilha, Verónica Mora afirmou que o retorno emocionou a comunidade. “Estamos vendo a concretização de um projeto que começou há vários anos”, disse, segundo o portal Isto É Dinheiro.
A ação faz parte de um programa maior, que prevê trazer de volta outras 12 espécies endêmicas. A proposta é ampliar gradualmente a restauração ambiental da ilha.


