Como a Bélgica virou o segundo maior exportador de chocolate do mundo sem cultivar um único grão de cacau

País não tem clima para cultivar cacau, mas construiu uma tradição centenária baseada em técnicas de produção, regras rígidas de qualidade e inovação

Entenda como a história, o processamento dos grãos e a legislação ajudaram a transformar o chocolate belga em referência mundial (Foto: Thaler Tamas/ Wikimedia Commons)

Entenda como a história, o processamento dos grãos e a legislação ajudaram a transformar o chocolate belga em referência mundial (Foto: Thaler Tamas/ Wikimedia Commons)

O Dia Mundial do Chocolate marca simbolicamente a chegada do cacau à Europa, em 1550, quando o alimento começou a conquistar espaço entre a nobreza do continente.

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E, falando em Europa, você sabia que a Bélgica é a segunda maior exportadora de chocolate do planeta? Segundo o Observatory of Economic Complexity (OEC), o país vendeu US$ 4,97 bilhões em chocolates ao exterior em 2024, ficando atrás apenas da Alemanha, que exportou US$ 6,94 bilhões.

A quantidade seria compreensível se na Bélgica existisse uma única plantação de cacau, o que não é possível devido às condições climáticas da região.

Mas como um país incapaz de produzir a principal matéria-prima do chocolate conseguiu construir uma das indústrias mais prestigiadas do setor? Entenda a história a seguir.

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História do Dia Mundial do Chocolate

Por que não existe cacaueiro na Bélgica

De acordo com a International Cocoa Organization (ICCO), o cacaueiro só consegue crescer em regiões localizadas até 20 graus ao norte ou ao sul da Linha do Equador, onde há calor constante, muita umidade e pouca variação de temperatura.

Como a Bélgica tem clima temperado e invernos rigorosos, produzir cacau em seu território é biologicamente inviável.

Em vez de investir no cultivo, o país passou a concentrar seus esforços no processamento dos grãos, aperfeiçoando técnicas que, ao longo dos séculos, se tornaram sua principal marca.

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Como a Bélgica se tornou um império de chocolate

A relação do país com o cacau começou no século 17, quando a região ainda estava sob domínio espanhol.

Na época, a região que hoje corresponde à Bélgica fazia parte dos Países Baixos Espanhóis e era governada pela Coroa da Espanha, responsável por introduzir o cacau na Europa após a colonização das Américas.

Foi por essa ligação política e comercial que o chocolate chegou ao território belga, inicialmente como uma bebida consumida pelas elites.

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Mas o setor ficou famoso mesmo no fim do século 19, quando a Bélgica passou a importar grandes volumes de cacau do Congo Belga (sua então colônia). Essa oferta constante de matéria-prima permitiu que chocolatiers aperfeiçoassem receitas e ampliassem a produção.

Outro momento decisivo aconteceu em 1912, quando Jean Neuhaus Jr., em Bruxelas, criou o primeiro praliné, um bombom de casca de chocolate com recheio cremoso. A novidade revolucionou a confeitaria e ajudou a criar a reputação internacional do chocolate belga.

Qualidade do chocolate belga

O diferencial do chocolate belga não está na origem do cacau, mas na forma como ele é produzido.

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Segundo o Visit Flanders, uma das características mais importantes é a moagem extremamente fina, que reduz as partículas para cerca de 15 a 18 mícrons.

Isso significa que o chocolate derrete de maneira uniforme na boca, sem deixar aquela sensação granulada comum em produtos de menor qualidade.

Outro ponto é a composição. O Código Oficial de Qualidade da Choprabisco determina que o chocolate belga utilize exclusivamente manteiga de cacau, proibindo a substituição por outras gorduras vegetais.

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Além disso, o produto costuma apresentar maior concentração de cacau, resultando em sabor mais intenso e menos doce.

Como ele se compara ao chocolate brasileiro

O Brasil possui uma realidade diferente. Parte do chocolate comercial utiliza outras gorduras vegetais para suportar melhor as altas temperaturas do país, o que aumenta sua resistência ao calor.

Por outro lado, está em alta o movimento bean-to-bar, no qual produtores brasileiros transformam o próprio cacau em barras premium.

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Utilizando amêndoas da Bahia e do Pará, muitas marcas nacionais já alcançam padrões comparáveis aos melhores chocolates artesanais do mundo, como ficou evidente no International Chocolate Awards de 2025.

Onde comprar chocolate belga em São Paulo

Quem deseja experimentar um autêntico chocolate belga encontra diversas opções na capital paulista. A tradicional Casa Santa Luzia, nos Jardins, comercializa marcas importadas como Neuhaus, Galler e Côte d’Or.

Outra referência é a Chocolate Academy da Callebaut, na Chácara Santo Antônio, que trabalha com uma das matérias-primas belgas mais utilizadas por chocolatiers profissionais.

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Além disso, empórios gourmet e lojas especializadas em produtos importados costumam oferecer barras e bombons produzidos na Bélgica, respeitando os padrões de qualidade do país.