Uma das praias mais conhecidas do Rio de Janeiro pode simplesmente deixar de existir. Um estudo da Universidade Federal Fluminense (UFF) revelou que a orla de Niterói está entre as áreas mais vulneráveis do Brasil ao avanço do mar.
Com base em projeções feitas por especialistas, o cenário é preocupante. Mesmo em uma estimativa otimista, o nível do oceano pode subir até 0,50 metro até o fim do século. Em casos mais extremos, esse número pode chegar a 1,80 metro.
Se isso se confirmar, cerca de nove mil moradores e mais de dois milhões de metros quadrados de vegetação podem desaparecer junto com a faixa de areia. A cidade tenta correr contra o tempo para evitar o pior.
Estudo mapeou toda a cidade
Segundo o levantamento publicado na revista científica suíça Coasts, os pesquisadores utilizaram uma matriz de vulnerabilidade ambiental que analisou nove regiões diferentes de Niterói.
O estudo considerou tanto os aspectos ambientais quanto os impactos econômicos. As regiões próximas à Baía de Guanabara enfrentam maior desigualdade social, enquanto o lado oceânico é mais frágil por causa dos ecossistemas sensíveis.
Ressacas e nível do mar preocupam
Além da elevação contínua do nível dos oceanos, os cientistas também chamam atenção para fenômenos naturais como as ressacas, que podem causar picos momentâneos e devastadores no volume da água.
De acordo com o estudo, até mesmo em um cenário de contenção, as ressacas podem impulsionar o nível do mar até 1,80 metro. Essa situação agravaria ainda mais os danos previstos para o litoral niteroiense.
Nove mil moradores podem ser afetados
Os impactos da elevação do mar não se limitam à natureza. Segundo o estudo, cerca de nove mil pessoas vivem em áreas que podem ser engolidas pelas águas se nada for feito nos próximos anos.
Além das perdas humanas, estima-se que mais de dois milhões de metros quadrados de vegetação podem desaparecer. Isso inclui áreas verdes que ajudam a manter o equilíbrio ambiental da cidade.
Projeto quer conter avanço do mar
Para tentar conter os danos, a Empresa de Infraestrutura e Obras de Niterói (Emusa) desenvolveu um projeto que prevê a criação de um reservatório subterrâneo no estádio Caio Martins, em Icaraí.
A ideia é reduzir o impacto das chuvas e controlar os alagamentos que agravam o avanço do mar. A medida, porém, é apenas uma das ações necessárias para frear a erosão e salvar o litoral da cidade.
Outros locais também estão ameaçados
A preocupação não é exclusiva de Niterói. Um levantamento do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), feito em 2017, já havia mapeado trechos do litoral paulista sob risco de erosão costeira.
Além disso, segundo a Nasa, o aumento do nível do mar pode atingir também cidades como Porto Alegre e outras capitais da América do Sul até 2100. É um alerta global com reflexos diretos no Brasil.
O que pode acontecer até 2100
Mesmo com medidas emergenciais, o futuro do litoral de Niterói é incerto. A tendência é de que, sem ações estruturais maiores, as faixas de areia continuem diminuindo até desaparecerem.
“Já imaginou nunca mais ter a chance de visitar a sua praia do coração?”, diz trecho do relatório. Para os especialistas, é preciso agir agora para evitar que as previsões se tornem realidade.
Qual será o próximo passo?
Com base nos dados da UFF e nos demais estudos mencionados, o cenário deixa claro que políticas públicas, investimento em infraestrutura e conscientização da população serão fundamentais nos próximos anos.
Enquanto isso, a população de Niterói acompanha com apreensão o desenrolar da situação. Afinal, a praia não é só um destino turístico — é parte da identidade e da história da cidade.
