A cerca de 8 quilômetros da costa de Florianópolis, em Santa Catarina, um pequeno arquipélago rochoso guarda um dos segredos mais impressionantes da fauna brasileira.
Com pouco mais de 10 hectares, a Ilha dos Moleques do Sul é o único lugar do mundo onde vive o preá-de-Moleques-do-Sul (Cavia intermedia), considerado atualmente o mamífero mais raro do planeta.
A raridade da espécie não está no tamanho ou na aparência, mas na geografia.
O preá possui a menor área de distribuição conhecida entre todos os mamíferos, limitada exclusivamente a essa ilha cercada pelo oceano Atlântico. Fora dali, ele simplesmente não existe.
Uma descoberta quase por acaso
O preá-de-Moleques-do-Sul foi identificado apenas em 1980, durante um levantamento da fauna catarinense realizado pela então Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina (FATMA).
Até então, a espécie vivia isolada e desconhecida, mesmo estando relativamente próxima de um grande centro urbano.
Registros de animais raros em áreas preservadas reforçam a importância do monitoramento ambiental, como mostram filmagens que captaram animal silvestre ameaçado em área de conservação, tema recorrente em estudos sobre preservação da fauna.
Um roedor pequeno e único
Visualmente, o preá lembra um porquinho-da-índia e pertence ao mesmo grupo de roedores que inclui capivaras e ratos.
Apesar da semelhança, ele carrega uma característica que o diferencia de qualquer outro mamífero: sua existência restrita a um único ponto do planeta.
A população é estimada em algumas centenas de indivíduos, o que torna a espécie extremamente sensível a qualquer alteração ambiental.
Um território protegido e vulnerável
O isolamento da ilha ajudou a preservar o preá ao longo do tempo, mas também tornou a espécie vulnerável.
Eventos climáticos extremos, doenças ou mudanças no ambiente podem impactar rapidamente toda a população.
A relação entre animais silvestres e seus habitats naturais contrasta com fenômenos observados em centros urbanos.
Como o crescimento das capivaras em áreas urbanas, que tem despertado atenção de pesquisadores e autoridades ambientais.
Por esse motivo, a Ilha dos Moleques do Sul é uma área de proteção ambiental, com acesso controlado e monitoramento constante.
Além do preá, o arquipélago abriga aves marinhas e vegetação adaptada às condições severas do ambiente costeiro.


