Ilhas de calor em SP: veja os bairros mais quentes, segundo a USP

Pesquisa da USP revela os bairros mais quentes da capital e os impactos das ilhas de calor

Os bairros de São Paulo que apresentam as maiores temperaturas e, consequentemente, são considerados os mais quentes, foram identificados através de estudos sobre ilhas de calor urbano (ICU).

Os bairros de São Paulo que apresentam as maiores temperaturas e, consequentemente, são considerados os mais quentes, foram identificados através de estudos sobre ilhas de calor urbano (ICU). | Marcos Santos/USP Imagens

Moradores de algumas regiões da capital paulista sentem no dia a dia um calor que parece não dar trégua, mesmo fora dos períodos extremos do verão.

Essa percepção ganhou respaldo científico após um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo, que identificou bairros com ilhas de calor urbano mais intensas dentro da capital.

A pesquisa, publicada na Revista Brasileira de Meteorologia, analisou dados de temperatura e umidade coletados entre 2009 e 2019.

O levantamento revelou que áreas com alta ocupação residencial e pouca cobertura vegetal concentram temperaturas médias significativamente mais elevadas do que regiões periurbanas e rurais.

Entre os bairros mais impactados aparecem Tucuruvi, Mooca e Freguesia do Ó, onde o ambiente construído domina a paisagem e reduz a capacidade natural de resfriamento do espaço urbano.

Como a perda de áreas verdes intensifica o calor na cidade

O avanço das ilhas de calor está diretamente ligado à redução de áreas verdes, um fenômeno especialmente evidente na Região Metropolitana de São Paulo.

Árvores, parques e áreas permeáveis ajudam a regular a temperatura por meio da evapotranspiração, processo que resfria o ar e melhora o conforto térmico.

Sem vegetação suficiente, superfícies como asfalto, telhados e concreto absorvem calor durante o dia e o liberam lentamente à noite. O resultado é uma cidade que demora mais a esfriar e mantém temperaturas elevadas mesmo após o pôr do sol.

Durante ondas de calor, essa dinâmica se torna ainda mais preocupante. A ausência de verde reduz o resfriamento natural, aumenta o desconforto térmico e pode agravar problemas de saúde, sobretudo entre idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.

Bairros densamente ocupados e com pouca arborização tendem a registrar os maiores picos de temperatura, enquanto regiões mais afastadas, com maior presença de árvores, apresentam condições climáticas mais amenas.

Tecnologia ajuda a mapear as ilhas de calor em sp

Além da análise tradicional de dados meteorológicos, o estudo utilizou ferramentas de ciência de dados para entender melhor o comportamento térmico da metrópole.

Um dos destaques foi o uso do algoritmo K-means, um modelo de machine learning não supervisionado que agrupa regiões com características climáticas semelhantes.

Antes do agrupamento, os pesquisadores aplicaram a Análise de Componentes Principais (PCA), técnica que normaliza os dados e reduz ruídos. Em seguida, o K-means organizou os bairros conforme a proximidade entre variáveis como temperatura, umidade, precipitação e uso do solo.

Para definir a quantidade ideal de grupos, foi utilizado o chamado “método do cotovelo”, que evita tanto a fragmentação excessiva quanto a generalização dos resultados. A análise final incluiu boxplots, permitindo comparar diferenças e semelhanças entre os grupos identificados.

Na Região Metropolitana de São Paulo, essa metodologia revelou quatro grandes padrões climáticos distintos, oferecendo uma visão mais precisa sobre onde o calor se concentra e por quê.

Quais são os bairros mais quentes de são paulo

Com base em estudos sobre ilhas de calor urbano, alguns bairros da capital se destacam por registrar as maiores temperaturas médias. A combinação de alta densidade populacional, intensa atividade comercial e escassez de áreas verdes cria condições propícias para o acúmulo de calor.

Os bairros apontados como os mais quentes são:

  1. Tucuruvi
  2. Mooca
  3. Freguesia do Ó
  4. Jabaquara
  5. Vila Mariana
  6. Pinheiros
  7. Butantã
  8. Lapa
  9. Pirituba
  10. Tremembé
  11. Penha
  12. Vila Formosa
  13. Anhembi
  14. Vila Prudente

Nessas regiões, a falta de vegetação limita o resfriamento natural do ambiente, elevando a temperatura do ar e tornando o clima mais abafado.

Em contraste, áreas com perfil mais rural ou periurbano, como Capela do Socorro e Riacho Grande, registram temperaturas mais baixas.

Outros bairros que apresentam clima relativamente mais ameno, graças à maior presença de áreas verdes, incluem Perus, Santana do Parnaíba, Itaquera, Itaim Paulista, Ipiranga, Vila Maria, Cidade Ademar e Campo Limpo.

Especialistas apontam que ampliar e preservar áreas verdes é uma das estratégias mais eficazes para reduzir os efeitos das ilhas de calor e melhorar a qualidade de vida em São Paulo, uma cidade cada vez mais impactada pelas mudanças climáticas e pela urbanização intensa.