Maior floresta urbana replantada do mundo fica no Brasil e impressiona com 4 mil hectares

Em 13 anos, mais de 100 mil árvores foram plantadas na Tijuca; veja quem liderou o projeto e como visitar o parque hoje

No século 19, o desmate secou nascentes e pressionou o abastecimento; entenda como o reflorestamento mudou a história da Tijuca

No século 19, o desmate secou nascentes e pressionou o abastecimento; entenda como o reflorestamento mudou a história da Tijuca | Sergio Ricardo Ribeiro/Wikimedia Commons

Quem caminha pela Floresta da Tijuca costuma pensar que essa enorme área natural ficou intocada enquanto a cidade do Rio de Janeiro crescia.

Pouca gente imagina, porém, que esse cenário verde é resultado de um grande projeto de recuperação ambiental do século 19.

Com cerca de 4.200 hectares, a Floresta da Tijuca é considerada a maior floresta urbana replantada do mundo. 

O reflorestamento teve como objetivo restaurar a Mata Atlântica destruída e proteger as nascentes que abasteciam a capital imperial.

Da devastação ao reflorestamento

No século 19, quase toda a área verde da região foi derrubada para o cultivo de café. A exploração intensa secou nascentes e comprometeu o fornecimento de água para a cidade.

Por esse motivo, em 1861, D. Pedro II declarou as florestas da Tijuca e das Paineiras como Florestas Protetoras.

A partir daí, fazendas foram desapropriadas para permitir o replantio e a regeneração natural da vegetação, que hoje contribui para a paisagem que levou o Rio de Janeiro a ser eleito a cidade mais bonita do mundo.

Como o reflorestamento foi feito

O Major Manuel Gomes Archer ficou responsável pelo reflorestamento. Ele iniciou os trabalhos com 11 pessoas negras escravizadas, além de feitores e trabalhadores assalariados.

Em apenas 13 anos, mais de 100 mil árvores foram plantadas, principalmente espécies nativas da Mata Atlântica.

Apesar de o reflorestamento ter começado há mais de 100 anos, esses trabalhadores já tinham conhecimento profundo sobre o funcionamento da floresta e sua recomposição.

Continuação do projeto

Com a saída de Archer, o Barão d’Escragnolle assumiu o projeto. Ele manteve o reflorestamento e passou a planejar espaços voltados para visitação e lazer.

Sob orientação do paisagista francês Auguste Glaziou, a área ganhou caminhos, fontes e pequenos lagos. A alameda de eucaliptos e alguns recantos ainda visíveis hoje são heranças desse período.

Biodiversidade da floresta

A Floresta da Tijuca abriga um importante fragmento de Mata Atlântica. São mais de 1.600 espécies de plantas e cerca de 300 espécies de animais.

Entre as árvores, são comuns o angico, a quaresmeira e o ipê-amarelo. Na fauna, aparecem preguiças, macacos-prego, quatis, cutias e diversas serpentes.

Como visitar

A maior parte das atrações da Floresta da Tijuca está dentro do Parque Nacional da Tijuca (PNT), unidade de conservação federal que protege a área e figura entre os 11 parques mais recomendados para visitar no Brasil.

O parque é organizado em três setores principais, cada um com características próprias:

  • Setor Floresta da Tijuca: é o mais conhecido e concentra trilhas, cachoeiras como a Cascata Gabriela e o Lajeado, além de sítios históricos. Também inclui a região das Paineiras e o circuito das grutas, como a Gruta do Archer.
  • Setor Serra da Carioca: concentra pontos turísticos como o Corcovado, onde está o Cristo Redentor, o Parque Lage e o Parque da Catacumba. A área reúne mirantes com vistas amplas da cidade e trilhas de diferentes níveis de dificuldade.
  • Setor Pedra Bonita/Pedra da Gávea: marcado por atividades ao ar livre mais intensas. A Pedra Bonita abriga a famosa rampa de voo livre, enquanto a Pedra da Gávea, um dos maiores monolitos à beira-mar do mundo, atrai praticantes de escalada.