Mistério revelado: Estátuas da Ilha de Páscoa ‘caminhavam’ e não usavam troncos; entenda

Entenda a teoria do "movimento vertical" e como um sistema de cordas e ritmo fez toneladas de rocha ganharem vida

Pesquisadores replicam o método utilizado pelos nativos para deslocar os Moais por quilômetros sem o uso de rodas ou animais

Pesquisadores replicam o método utilizado pelos nativos para deslocar os Moais por quilômetros sem o uso de rodas ou animais | Wikimedia Commons

Segundo uma pesquisa publicada na revista científica Journal of Archaeological Science, as imensas estátuas da Ilha de Páscoa, no Chile, não eram arrastadas por troncos de madeira.

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Por décadas, as pessoas acreditavam neste mito. Mas essa narrativa está sendo substituída por uma história que envolve inteligência e engenharia sustentável.

As rochas megalíticas realmente “caminhavam” em pé, movidas com o auxílio de cordas e equilíbrio. Confira mais detalhes a seguir:

O segredo está no design

Uma equipe liderada pelos antropólogos Carl Lipo e Terry Hunt analisou quase mil estátuas e descobriu que aquelas encontradas ao longo das antigas estradas tinham características únicas. 

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Diferente das estátuas finalizadas que vemos nas plataformas (ahu), essas “estátuas de estrada” possuíam bases largas em formato de D e uma inclinação acentuada para a frente.

Esse design não era um erro, mas uma ferramenta. A inclinação para a frente (entre 6 e 15 graus) impedia que a estátua ficasse em pé sozinha, mas permitia que ela fosse balançada de um lado para o outro. 

Ao ser inclinada lateralmente, a base curvada agia como um pivô, fazendo a estátua dar um “passo” à frente em um movimento de zigue-zague controlado.

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A prova real: 18 pessoas e 4 toneladas

Para testar a teoria, os pesquisadores construíram uma réplica de concreto de 4,35 toneladas com as mesmas proporções das estátuas originais. 

O resultado foi surpreendente: usando apenas cordas e uma equipe de 18 voluntários, eles conseguiram mover a estátua por 100 metros em apenas 40 minutos.

O processo não exigia força bruta, mas sim ritmo e coordenação. Enquanto dois grupos puxavam as laterais para criar o balanço, um terceiro grupo controlava uma corda traseira para evitar que a estátua tombasse para a frente. 

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“Com o peso e o formato certos, o moai se move praticamente sozinho. É física, não força”, explicou Carl Lipo.

Estradas como trilhos de pedra

A engenhosidade não parava nas estátuas. Os Rapa Nui construíram uma rede de 
estradas de cerca de 4,5 metros de largura com um detalhe crucial: um formato levemente côncavo. 

Essas vias funcionavam como guias, ajudando a estabilizar a base das estátuas durante o balanço e evitando que elas saíssem do caminho.

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Estátuas encontradas quebradas ou abandonadas ao longo dessas rotas mostram marcas de desgaste nas bases compatíveis com esse atrito lateral, reforçando que o fracasso mecânico era o que interrompia a jornada de alguns moais.

A voz dos ancestrais

Essa descoberta finalmente dá razão às tradições orais da ilha. Por gerações, os nativos afirmaram que os moais “caminhavam” até seus destinos. 

O que antes era visto por estudiosos ocidentais como lenda ou metáfora, provou ser uma descrição técnica exata de um método que dispensava o uso de madeira e grandes forças de trabalho.

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Além disso, a pesquisa esclarece que os famosos “olhos” dos moais só eram esculpidos após a estátua chegar ao seu destino final, sinalizando que a peça deixava de ser um bloco de pedra em transporte para se tornar um ancestral protetor.

Ao decifrar como essas gigantes de 80 toneladas se moviam, a ciência não apenas resolve um quebra-cabeça físico, mas devolve ao povo Rapa Nui o reconhecimento de sua sofisticação tecnológica. 

Eles não destruíram sua ilha por causa de estátuas; eles dominaram as leis da física para erguer monumentos monumentais com o mínimo de recursos.